Metalúrgicos ainda estão sem solução
Por Marcela Freitas
Os metalúrgicos do estaleiro Eisa Petro Um (Estaleiro Mauá) iniciaram, ontem, uma série de mobilizações para tentar reverter a decisão da empresa em dispensá-los de suas funções. A exemplo do que aconteceu, na última sexta-feira, funcionários com apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, se concentraram na porta da empresa, em Ponta da Areia, em Niterói, para tentar um acordo com os responsáveis pela unidade.
De acordo com o presidente do sindicato, Edson Rocha, os empresários colocaram em pauta a proposta para os dois mil funcionários trabalharem 15 dias e folgarem 15, recebendo assim, a metade do salário. “A proposta não foi aceita. Faremos uma nova assembleia. Amanhã (hoje), nos concentraremos na porta do estaleiro. Queremos que o acordo seja feito com as portas abertas e com todos os trabalhadores em seu campo de trabalho”, afirmou.
O chapeador Davi da Silva Toscano, de 26 anos, é um dos funcionários que está com seu futuro incerto. “Não sabemos o que pode acontecer. Não fomos demitidos e também não podemos trabalhar. Tenho família e não posso aceitar ganhar a metade do que recebo hoje”, disse.
Demitido no último dia 22 de junho, Maicom Souza Costa, 28, também não teve sua situação resolvida. “Eles depositaram o salário base deste mês, mas a rescisão não foi paga. A carteira de trabalho está retida na empresa, o que nos impossibilita de dar entrada nos direitos trabalhistas e também buscar uma nova recolocação profissional”, afirmou Maicom, que é casado e tem dois filhos menores. Desde a última sexta-feira, a direção do estaleiro está sendo procurada pela equipe de reportagem, que não é atendida.
Recordando - Na última quinta-feira, a empresa comunicou aos trabalhadores a paralisação das atividades por tempo indeterminado alegando problemas financeiros. A mobilização dos metalúrgicos arrancou uma nova negociação com a Transpetro para a próxima semana. A Secretária Geral da Presidência da República também entrou nas negociações. O sindicato pede o fim das demissões e o pagamento das indenizações dos cerca de mil trabalhadores demitidos pelo estaleiro no último dia 22 de junho.
