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Algoz ou herói?

No ‘Dia do Goleiro’, veteranos e novatos contam sobre dificuldades e satisfações da profissão

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 25 de abril de 2015 - 22:25

O niteroiense País vê um futuro promissor para a nova geração mas chama atenção também para o compromisso dos atletas jovens com o futebol e a torcida

Foto: Julio Diniz

Há uma semana, Renan e Diego Cavalieri foram decisivos para Botafogo e Fluminense, respectivamente. O primeiro teve mais sorte e classificou os alvinegros, ironicamente com gol nas cobranças de pênalti, para começar a disputar hoje, a final do Carioca 2015 contra o Vasco. E quem poderá ser o vilão ou herói a partir deste domingo, justamente na data que se comemora o “Dia do Goleiro”? Isso ninguém tem varinha de condão para saber, no entanto O SÃO GONÇALO foi ouvir veteranos e novatos para conhecer e desvendar as dificuldades e alegrias em atuar na posição específica do esporte mais popular do Brasil.

“O trabalho do goleiro é um dos mais difíceis, pois ele não pode errar. Errou, é gol. Mesmo que ele acerte 90 minutos, um erro pode mudar o placar”, disse o niteroiense País José Oliveira, de 61 anos, que atuou no América na década de 1970 e hoje no Master do Flamengo, clube pelo qual admite ser torcedor desde a infância. Ele também foi personagem da série “Craques do Passado”, veiculada entre fevereiro de 2011 e fevereiro de 2012 por O SÃO GONÇALO e que conquistou o 1º lugar do prêmio “João Saldanha de Jornalismo Esportivo de 2012”. A série de reportagens, com textos do jornalista Leonardo Barros e fotos de Kiko Charret, virou livro, também em 2012.

Pai de três filhos e avô de quatro netos, o aposentado conta que tem muito orgulho da carreira que construiu e vê um futuro promissor na nova geração. Porém alerta que os jovens precisam ter mais compromisso com o futebol e com a torcida.

“Eu me cobrava muito e vejo que hoje em dia eles não se cobram tanto. Todos temos deficiências, mas temos que melhorá-las. A garotada nova é muito boa, é bem reconhecida. Precisam ter mais responsabilidade com a posição e com seus torcedores”, aconselhou País que decidiu ser goleiro aos 16 anos ao assistir um Fla-Flu. A inspiração tinha nome e sobrenome: Marcial de Mello Castro.

A partir daí, foram longos meses de trabalho e mais trabalho. Aos 19 anos, tornou-se profissional e iniciou sua passagem pelo América-RJ. Com jeito simples e uma carreira de tirar o chapéu, País teve passagens emblemáticas por outros grandes clubes brasileiros, como Santos (1978), Sport (1979), ABC-RN (1982) e Náutico (1983), além de ter atuado na Europa defendendo clubes de Portugal, entre eles o Olhanense.

Outro exemplo - A paixão em defender um time literalmente com as próprias mãos também pode ser notada nas palavras do jovem Julio Cesar Souza dos Santos, 28.
Nascido no Jardim Catarina, bairro onde está o coração do futebol atual de São Gonçalo, Julio conta, com grande satisfação, o orgulho que tem em fazer parte da equipe que levou o Gonçalense Futebol Clube ao título da série C do Campeonato Carioca, no ano passado.

“O convite veio em fevereiro de 2014, pelo próprio treinador, o Claudio Pinduca. Ele apresentou o projeto e nós apoiamos. Acredito que ser goleiro é ter uma função privilegiada, com visão ampla do campo e do jogo”, declarou o jovem Julio Cesar.

Gonçalense integrou até Seleção Brasileira

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Quando se pensa em destaque gonçalense no exterior, impossível não lembrar das defesas marcantes de Helton da Silva Arruda. Atualmente defensor do Futebol Clube do Porto, de Portugal, ele vive o auge de seus 36 anos colecionando passagens memoráveis também por times nacionais, inclusive pela Seleção Brasileira.

Sua história teve início ainda entre os juvenis do Vasco da Gama, na época com 15 anos de idade. Aos 21, chegou ao profissional em São Januário e conseguiu se firmar na equipe durante a disputa do Mundial de Clubes, organizado pela Fifa.

As boas atuações ainda nas divisões de base e o destaque entre os profissionais levaram o gonçalense a convocação para a Seleção Brasileira Olímpica, comandada por Vanderlei Luxemburgo, para a disputa dos Jogos daquele ano, 2000.

Após se desligar do Cruzmaltino, em 2002, Helton selou sua ida a Portugal para defender a União de Leiria, onde permaneceu por três temporadas. Logo depois recebeu convite do FC Porto, onde continua até hoje.

Em 2006, no entanto, ele foi novamente convocado para vestir verde-amarelo. Desta vez, sob o comando de Dunga, integrou o elenco reserva da Copa América 2007, quando o Brasil foi campeão.

Preparação é fundamental

Estar à frente dos gols é, sem dúvidas, uma grande responsabilidade. Porém é importante lembrar também daquele profissional que influencia diretamente para um bom desempenho dos goleiros: o preparador. E neste quesito, o também gonçalense Josmiro de Goes, 27, recebe a nota máxima. Há quatro anos, é ele quem prepara os seis goleiros da equipe sub-15 do Fluminense, em Xerém, na Baixada Fluminense.

Para Josmiro a glória de um goleiro pode ser construída tão rapidamente quanto sua derrota.

“O goleiro é nada menos que o responsável por evitar o maior momento do futebol: o gol. Exige muito comprometimento e responsabilidade”, contou o gonçalense formado em Educação Física que chegou a sonhar em ser goleiro, mas desistiu pelas oportunidades escassas.

Ser preparador da base tricolor também não foi nada fácil, ele trilhou um caminho longo. Primeiro, começou a ajudar em projetos sociais em São Gonçalo, logo depois chegou ao Profut, time de Tanguá. Depois de alguns anos, conseguiu a oportunidade de estagiar em Xerém, até que recebeu o convite de continuar como profissional.

Projeto – Para dar uma atenção maior aos goleiros, Josmiro estuda montar uma escolinha especializada, em São Gonçalo. De acordo com o educador, não há projetos na cidade atualmente que ofereçam treinamento específico para a posição. “A intenção é dar possibilidade para a garotada que tem o sonho, mas não encontra o lugar certo para aprimorar a técnica”, afirmou.

O local onde será instalado o projeto ainda não foi definido, porém a expectativa é que seja implantado até agosto. Para saber mais, basta entrar em contato com o professor no número 99445-1088.

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