Escola bilíngue é exemplo em São Gonçalo

Turma tem aulas de linguagem dos sinais e de português
Foto: DivulgaçãoPor Daniela Scaffo
Implantada em agosto do ano passado no Colégio Municipal Castelo Branco, no Boassu, a Educação Bilíngue é esperança de modificação na vida de crianças e jovens surdos. E também na de seus pais. Em menos de um ano de funcionamento, o número de alunos triplicou. Hoje, existem 36 distribuídos em três turmas: 1° ano, 2° ano e Educação de Jovens e Adultos (EJA).
“É um trabalho pioneiro com a única turma de EJA voltada para jovens surdos. Eles aprendem o conteúdo regular, com foco na Língua Portuguesa, além da linguagem de sinais”, ressaltou Humberto Beethoven, coordenador da Educação Inclusiva da secretaria de Educação de São Gonçalo.
Moradores do Colubandê, os irmãos Marcos Vinícius e Gladson Vieira, de 17 e 15 anos, respectivamente, contaram que pretendem abrir uma oficina mecânica. Antes da abertura da classe bilíngue no Castelo Branco, eles frequentavam uma turma regular e dependiam de um intérprete para compreender o que o professor explicava em sala.
“Ele diz que quando o intérprete faltava, ele ficava perdido sem entender nada, pois o professor não conseguia se comunicar com ele”, revelou Gisele Pontes, coordenadora da classe bilíngue. Para ficar perto da escola, Michell Lima, 15, passa a semana com a avó, no Mutuá, e vai para casa, no Mundel, só quando não tem aula. “Meu sonho é ser mecânico de moto”, disse.
A turma, com 12 alunos, ainda tem vagas para mais 12. A oportunidade é para jovens a partir de 15 anos. “Uma das maiores dificuldades é convencer os pais de que seus filhos podem evoluir e não vão conseguir aprender se continuarem assistindo aulas em turmas regulares. Nosso objetivo é resgatar esse tempo perdido”, explicou Gisele.
Para facilitar o acompanhamento e a comunicação em casa, uma oficina de Libras é oferecida aos pais toda sexta-feira, de 8h às 9h, na própria unidade de ensino. O programa foi o responsável por classificar o colégio na primeira fase do Prêmio Melhores Práticas – Versão 2015, promovido pela Escola de Contas e Gestão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).