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Oito décadas de sobriedade

Alcoólicos Anônimos (AA) comemora 80 anos de existência na próxima quarta-feira

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 07 de junho de 2015 - 14:00

O comerciário X. comemora 23 anos na irmandade no mesmo dia dos 80 anos do A.A.

Foto: Julio Diniz

Por Cyntia Fonseca

Considerado um problema de saúde pública, o alcoolismo afeta, hoje, milhares de brasileiros diariamente. Criada com o intuito de ajudar alcoólatras a se recuperarem por meio de trocas de experiências, a sociedade Alcoólicos Anônimos (A.A.), completa, na próxima quarta-feira (10), 80 anos de atuação no mundo, com muitos testemunhos de que conseguiu largar o vício.

Uma delas é a do comerciário X., de 55 anos, que coincidentemente completa 23 anos de sobriedade e participação ativa no AA nesta mesma data. Morador de São Gonçalo, pai de um casal de filhos, hoje X. é formado em História, tem um bom emprego e se considera um homem realizado. Mas há 23 anos, ele jamais poderia imaginar fazer parte dessa realidade, quando estava com a vida completamente entregue ao álcool.

“O alcoolismo é uma doença e quem bebe muitas vezes não tem noção disso. Ao ingerir o primeiro gole, o humor muda, tudo se torna festa. Os problemas ‘acabam’ e tudo passa a girar em torno da bebida. Você esquece família, emprego e em tudo o que faz, acaba colocando a bebida em primeiro lugar”, conta.

Segundo X., a ideia de aprender a beber não existe. “Comecei aos 15 anos, por influência de amigos, e só consegui parar com 32. Não morri por sorte. Nesse período, colecionei diversas derrotas: não completei os estudos, perdi um bom emprego, vi a minha família se desestruturar. Parei de ler, uma das coisas que mais gosto de fazer”, relata o conferente.

Virada - A reação veio quando, aos 32 anos, estando há um mês desempregado e sem qualquer perspectiva de vida, um amigo fez o convite para que conhecesse um grupo do AA, em São Gonçalo.

“Mesmo sem saber como comprar o pão da minha filha, na época com 8 anos, não tinha vontade de parar. Mas ver minha filha chorando, pedindo para que eu parasse de tremer me entristeceu. A minha mulher disse: ‘ele só vai parar de tremer quando evitar o primeiro gole’. Então, voltei no dia seguinte, no dia 10 de junho de 1992, e decidi ingressar”, contou acrescentando que se considera mais jovem do que quando entrou para entidade.

Reconhecimento do trabalho

Para o psicólogo Diogo Bonioli, do Instituto de Saúde Mental e do Comportamento (ISMC), a eficácia do AA é inegável.

“O AA funciona como uma terapia de grupo de auto-ajuda, com seus símbolos, regras e, principalmente, com a figura do padrinho que é um verdadeiro companheiro de jornada. Afinal não há nada melhor que um bom e experiente companheiro para longas caminhadas”, explicou Bonioli.

Doutor em Saúde Mental pela Universidade Estadual de Campinas e Mestre em Pediatria pela Universidade Federal Fluminense, Jairo Werner, também acredita na importância do trabalho realizado pelo A.A.

“É um programa muito importante tanto para motivar o indivíduo a parar de beber quanto a manter a sobriedade, mas sem ambição de tratar os outros aspectos da doença, que vão além do alcoolismo propriamente”, disse Werner.

Evento para celebrar data

Interessados em conhecer o trabalho estão convidados para reunião pública em comemoração aos 80 anos, na próxima quarta, às14h, no Centro Cultural Joaquim Lavoura, na Estrela do Norte.

Homens e mulheres que se ajudam mutuamente a permanecerem sóbrios. Assim é a definição dada pelo A.A. criado em 1935, por dois médicos americanos.

Por serem anônimos e não possuírem registro de controle, é difícil mensurar números, mas somente em São Gonçalo são 22 grupos em diferentes bairros. O escritório central de A.A. na cidade funciona na Rua Coronel Moreira César, 97, 5º andar, Zé Garoto, telefone 2606-0522.

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