Educação inclusiva em São Gonçalo
Escola municipal é referência no atendimento de crianças com necessidades especiais

Jardim de Infância Menino Jesus tem 150 alunos, sendo 16 portadores de necessidades especiais
Foto: DivulgaçãoO pequeno Caio, de 4 anos, desde o ano passado estuda no Jardim de Infância Municipal Menino Jesus, no bairro Zé Garoto no turno da manhã. Autista, é capaz de desenhar qualquer coisa que vê no computador ou na TV. Além disso, ensina os colegas a mexer no equipamento. O menino é uma das oito crianças autistas da instituição de ensino, que tem 150 alunos, de 3 a 6 anos, sendo 16 com necessidades especiais. O estabelecimento concorre ao Prêmio Melhores Práticas - Versão 2015, do Tribunal de Contas do Estado pelo atendimento a estudantes autistas.
“Procurei outros colégios, inclusive em Niterói, e ninguém sabia dizer o que ele tinha. Eu achava que era preguiça. Ele não se adaptou a nenhum lugar. Quando o Caio veio para cá, as professoras logo identificaram o autismo. Antes, não era de conversar com ninguém. No primeiro mês ficava embaixo da mesa da professora. No segundo, brincava apenas no chão. Já no terceiro sentava na cadeira dele. Hoje brinca com os outros coleguinhas”, relatou a comerciante Liana Campelo, 46, mãe do menino.
A dona de casa Merejane da Silva, 34, e o vigilante Diogo Lopes Rodrigues dos Santos, 27, pais de Ana Beatriz, 5, passaram por situação semelhante.
“Aconselhados pela Associação de Pais de Alunos Excepcionais, a matriculamos aqui com três anos de idade e ela melhorou muito. Interage com outras crianças e se alimenta sozinha”, contou Merejane.
A dona de casa Mireli Silva de Matos, 45, mãe de Natan, 5, também peregrinou por outras instituições de ensino até encontrar a escola. “Não encontrava nenhum lugar capacitado para atender autistas. Até que me falaram daqui. No primeiro dia, ele abraçou todo mundo e não quis mais ir embora. Aqui ele se sentiu acolhido, como se estivesse em família”, disse.
O Jardim de Infância Menino Jesus existe há mais de 50 anos e funciona em dois turnos: manhã e tarde.
“Do porteiro à direção, passando pelos professores, todos são capacitados para atender crianças com necessidades especiais. Os alunos ficam em turmas junto com outros alunos sem deficiência e depois usam a sala de recursos, especialmente para eles, onde trabalham a individualidade e o próprio potencial. Nas salas de aula, contam com professor de apoio”, informou a diretora Mônica Ferreira dos Santos.