Incêndio suspeito em escola
Polícia investiga ação criminosa na destruição de colégio municipal desativado na Trindade

Teto do prédio da Escola Marlucy Salles de Almeida desabou com o incêndio na manhã de ontem
Foto: Alex RamosPor Marcela Freitas
Um incêndio na manhã de ontem, nas instalações da antiga Escola Municipal Marlucy Salles de Almeida, na Rua Itaocara, na Trindade, em São Gonçalo, desativada há um ano, levou pânico aos moradores do local. Muitas pessoas deixaram suas casas às pressas por causa da grande quantidade de fumaça que tomou conta da via. O teto do prédio desabou.
A área, segundo moradores, tem sido usado por viciados em drogas. No local foram encontradas duas caixas de fósforos e uma revista rasgada, levando à suspeita de que o incêndio tenha sido criminoso.
De acordo com a dona de casa Ana Maria Alves, 38 anos, o incêndio começou pouco antes das 10h. “Estava em casa quando vi a fumaça negra. Pensei que fosse em uma casa vizinha e saí correndo. Quando cheguei na rua, vi que na verdade era na escola”, contou.
O jardineiro Luiz Carlos Azevedo, 40 anos, disse que também se assustou. “Estava saindo de bicicleta quando vi a fumaça. Fui um dos primeiros a chegar aqui. Graças a Deus não tinha nenhuma criança aí dentro”, disse.
Pai de uma ex-aluna da extinta unidade de ensino, o vendedor Alex Santana, 34 anos, disse que a escola fechou há cerca de um ano. “Essa escola enchia sempre que chovia e depois passou a ter goteiras. Os alunos foram transferidos e a promessa da prefeitura era realizar obras no espaço. Estamos ansiosos pelo retorno dessa escola”, afirmou.
De acordo com o Corpo de Bombeiros de São Gonçalo, todo o mobiliário escolar - principalmente cadeira e mesas -, que estava guardado na quadra da unidade de ensino foi incinerado. Com a força das chamas, o teto da quadra poliesportiva desabou. No total, 12 homens com apoio de duas viaturas participaram do combate às chamas, que levou cerca de uma hora.
O diretor de Divisão da Defesa Civil, Enzo Merlim, disse que é necessária a liberação dos bombeiros para avaliar a estrutura do prédio.
Um morador do local que pediu para não ser identificado, contou que o espaço estava sendo usado para o consumo de drogas. Após o incêndio, os suspeitos teriam fugido.
As duas caixas de fósforos e a revista rasgada levaram investigadores da 72ªDP (Mutuá) a trabalhar com a hipótese de incêndio criminoso.
Obra abandonada pode servir de foco de dengue
Moradores da Rua Uberaba, vizinha à escola, estão preocupados com o abandono de uma obra da construtora Tenda. Segundo eles, no local seriam construídos condomínios residenciais, mas há 2 anos as obras foram paralisadas.
No entanto, duas cisternas que abasteceriam as unidades estão abertas e com um grande acumulo de água, podendo servir de foco para proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue.
Em nota, a construtora Tenda informou que estuda retomar as obras e está providenciando a drenagem das cisternas e tomando medidas para que o local permaneça seco.