Gonçalense é campeão de pôquer, considerado o ‘esporte da mente’

O empresário Abraão de Santana, de 30 anos, venceu torneio que reuniu mais de 3,8 mil jogadores
Foto: Julio DinizPor Dayse Alvarenga e Renê Santos
Em meio a tantos esportes com visibilidade, um ainda pouco conhecido, o pôquer, tem um gonçalense que se sagrou campeão recentemente em umas das 12 modalidades da prática. Sim, o pôquer é esporte, e o empresário Abraão de Santana, de 30 anos, venceu o maior torneio do mundo, fora de Las Vegas, Estados Unidos, na modalidade Texas Holdem, que reuniu mais de 3,8 mil competidores, no WTC Sheraton, em São Paulo.
Morador da Parada 40, Abraão passou a admirar o pôquer há nove anos assistindo ao filme “Cassino Royale”, estrelado pelo megaconhecido agente 007. A partir daí, ele buscou aperfeiçoamento através de pesquisas sobre as modalidades, competições dentro e fora do país, inclusive em torneios on-line. Nessa última opção, ele considera segura, desde que o cadastramento seja feito corretamente. As premiações são pagas de acordo com as apostas.
Considerado por muitos e pela própria Justiça brasileira como um “jogo de azar”, o pôquer foi oficializado há cerca de cinco anos como um “esporte da mente” (que usa habilidades do raciocínio) no Brasil. Desse modo, a modalidade se junta ao xadrez, bridge e outras práticas esportivas que têm o raciocínio como “matéria-prima”.
A Confederação Brasileira de Texas Holdem (CBTH) ainda busca, porém, sua legalização, pois no momento a prática possui reconhecimento somente pela Associação Brasileira de Esportes Intelectuais (Abrespi) e assim pode ser praticada como esporte nos estados de São Paulo, Minas Gerais, além do Distrito Federal. Para os competidores e amantes do pôquer, no entanto, essa foi uma grande conquista recente.
A vitória ou a derrota do jogador do pôquer não depende exclusivamente ou principalmente da sorte, mas da sua habilidade pessoal. Segundo Abraão, apenas três brasileiros ganharam o “bracelete” no torneio mundial, em Las Vegas. O acessório é considerado como o troféu ao grande campeão da competição. Na última que disputou na cidade americana, Abraão ficou em 17º lugar, em um torneio que reuniu 1.680 jogadores de vários países.
“Esse mês, em Brasília, acontecerá outro torneio de equipes, que reunirá competidores de todas as regiões. Ainda não confirmei minha presença. Afinal, preciso avaliar as despesas”, disse detalhando ainda algumas premiações. “Tive premiações expressivas, como R$18 mil no Campeonato Carioca; R$44 mil em Las Vegas; R$64 mil pela internet e R$116 mil no Brazilian Series of Poker (BSOP). No último torneio, em São Paulo, ganhei R$231 mil”, revelou.
Apostas não têm limites
Nas regras do jogo, após distribuição das cartas iniciais, os competidores jogam um de cada vez, em sentido horário, seguindo as posições da mesa. Geralmente, o vencedor de cada mão de pôquer é o jogador com melhor mão na hora em que apresenta suas cartas. Essa jogada é chamada de “showdown”.
As apostas são livres, ou seja, sem limites.
“Neste ano de 2015 eu fiquei em 9º no ranking do Campeonato Brasileiro de Pôquer, BSOP, através de pontuações. Foi cansativo. Afinal, fiquei das 14h às 3h competindo, durante quatro dias seguidos. Foi incrível”, contou Abraão.