Uma fazenda com futuro incerto
Após festas de fim de ano, preservação de imóvel em SG depende da prática de projetos

Administrada por três secretarias do estado, a fazenda Colubandê está em estado de degradação
Foto: Luiz NicolellaDepois do mês de encanto da tradicional ornamentação de Natal da Fazenda Colubandê, o monumento histórico voltou a ficar abandonado. Técnicos da prefeitura de São Gonçalo retiraram a iluminação comemorativa do local, que recebeu a visita de milhares de pessoas durante o mês de dezembro.
Atualmente administrada por três secretarias do Estado (Secretaria de Esporte, de Cultura e de Planejamento), a fazenda está em estado de degradação. Paredes descascando, banheiros, portas abertas e janelas quebradas, além do fato da capela de Sant’Anna e a Casa Grande, criadas em 1618, que vem sendo alvo do vandalismo, são apenas alguns dos problemas.
“Eu venho caminhar aqui no batalhão há dois anos e sempre gostei do local. Além de tudo, a fazenda é histórica e linda. Uma pena estar abandonada assim. Se o governo estadual assumisse seus compromissos, esse lugar seria muito visitado e bem frequentado”, contou a manicure Cláudia Rodrigues Nogueira, de 31 anos.
Enquanto os órgãos Estaduais não definiram a proposta de restauração, o projeto Ocupação Cultural Fazenda Colubandê reúne instituições, empresas artistas e gonçalenses que patrocinam a ação de conservação do local.
“O Estado prometeu fazer um projeto e não fez. Não se acha uma saída para salvar a fazenda Colubandê. Esse é o último modelo colonial em uma área urbana no Brasil e a gente pode acabar perdendo, como aconteceu com o III Batalhão de Infantaria”, contou um dos organizadores do projeto, Evanildo Barreto.
Para tornar o acesso a Fazenda mais atraente, o projeto realiza uma agenda cultural, com atividades como visitas guiadas, oficinas artísticas e ações de educação para o patrimônio cultural, apresentações de teatro, dança, música, rodas de leitura, encontros literários e artes visuais, exibição de filmes, feira de artesanato-gastronomia, vídeo-documentário, e publicação impressa sobre o patrimônio, tombado pelo Ministério da Cultura.
Cunho histórico - A Fazenda Colubandê foi construída no século 17, por Catarina Siqueira, e vendida para judeu Benamyn Benevitis, que mudou o nome para fugir da inquisição, sendo chamado de Ramires Duarte Leão. Em 1713, a fazenda foi confiscada pela igreja e entregue aos jesuítas.
A casa grande sofreu diversas modificações, tendo o teto estilo oriental, varanda com 16 colunas em estilo grego-romano e janelas com influência da época de Luís XV.