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Sem UPAs, saída é o PSSG

Com atendimento limitado nas unidades estaduais, moradores lotam rede municipal

relogio min de leitura | Redação 22 de dezembro de 2015 - 19:27

Somente no Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG), o número de pacientes aumentou em quase 100% no último fim de semana

Foto: Alex Ramos

Por Marcela Freitas

Quem busca por atendimento na rede estadual de saúde tem enfrentado um verdadeiro calvário. Sem ter como custear pagamentos de funcionários e compra de insumos hospitalares, o Governo do Estado tem limitado o número de atendimento nas emergências e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). O reflexo desta crise é a superlotação nas redes municipais das cidades da região.

Pronto Socorro de Alcântara é outra unidade que tem ficado bastante sobrecarregada em São Gonçalo
Pronto Socorro de Alcântara é outra unidade que tem ficado bastante sobrecarregada em São Gonçalo

No Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG), o número de pacientes aumentou em quase 100% no último final de semana. Atendendo em média 340 pacientes por dia, a unidade do Zé Garoto, recebeu 1.214 em 48 horas. Já no Pronto Socorro de Alcântara, o número de atendimentos diários aumentou em 50%.

Vítima de uma queda e com fortes dores no joelho, a dona de casa Maria Gomes da Glória Ferreira, viveu um verdadeiro martírio até conseguir atendimento no PSSG, ontem. Ela procurou a UPA e o Hospital Alberto Torres, ambos no Colubandê, mas foi orientada a buscar a rede municipal.

“Estamos rodando há quase quatro horas em busca de atendimento. A cada unidade da rede estadual que chegávamos, nos mandavam para outro lugar. Isso é uma barbaridade”, reclamou o marido da paciente, o caminhoneiro Raimundo Gomes, 63.

Quem também acabou sendo orientada a buscar atendimento no PSSG foi a dona de casa Cátia Nascimento, 47, que acompanhava o marido, Marcelo Melo. “Estivemos na UPA. De pronto atendimento, eles só tem o nome. Não quiseram nem saber o que meu marido tinha e já nos encaminharam para cá. Isso é um descaso com a população”, disse.

No Pronto Socorro de Alcântara, vários pacientes relataram terem sido orientados por funcionários das UPAs a buscar a rede municipal. “Estive na UPA do Colubandê e não quiseram me atender. Estou com muitas dores e febre”, afirmou Lisandra Vieira, 23.

A mesma orientação foi dada à paciente Rosemere Nere, 26. Ela estava com dores e não conseguiu ser atendida na UPA. Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirmou que os pagamentos dos servidores serão realizados o mais rapidamente possível, dependendo da disponibilidade de recursos em caixa. A Secretaria de Fazenda do Estado informou estar concentrando esforços na busca de receitas extraordinárias que garantam o pagamento dos compromissos.

Troca de secretários - Em meio à crise que assola a saúde pública do estado, o governador Luiz Fernando Pezão decidiu fazer uma modificação no na pasta. O médico Luiz Antônio Teixeira Júnior assumi o lugar de Felipe Peixoto. A transição começará já nos próximos dias. Luiz Antônio é secretário de Saúde da cidade de Nova Iguaçu.

Hospital da Mulher também tem aumento

O Hospital Municipal da Mulher de SG também está recebendo adptações para o aumento do número de pacientes. A unidade já ganhou 22 novos leitos, elevando para 76 o número de camas hospitalares. O número de partos na unidade também aumentou de 90 para 300 por mês.

De acordo com a administradora e coordenadora da enfermagem, Marta Belleza, o hospital tem recebido demanda de mulheres de outros municípios, que sem conseguir atendimento, estão procurando a unidade de São Gonçalo.

“Temos quatro centros cirúrgicos, duas para parto normal, um de cesariana e outra de cirurgia ginecológica. Estamos atendendo todas as gestantes, mesmo que sejam de outras cidades”, disse.

Moradora de Guapimirim, Pamella Albino da Silva, 18, não conseguiu atendimento em sua cidade e teve que buscá-lo em São Gonçalo. “Estava com 41 semanas e os médicos se negavam a fazer o parto. Só consegui ser atendida aqui”, contou a mãe do pequeno Marcos Eduardo.

Outra que peregrinou para conseguir atendimento foi a projetista Daiana Freitas, 25, moradora de Seropédica. “Estava perdendo líquido e busquei unidades de saúde de Seropédica, Piabetá e Duque de Caxias e não consegui. Como minha mãe reside em São Gonçalo, busquei esse hospital e graças a Deus fui acolhida. O médico que me atendeu foi muito rápido. Minha filha já estava com parada cardíaca. Graças a ele, posso pegá-la em meus braços”, revelou a mãe de Clara.

PSSG passa por obras

Considerado o único hospital de grande porte da rede de urgência e emergência atuante no sistema “portas abertas 24 horas” na cidade, o Pronto Socorro de São Gonçalo está recebendo obras para atender o aumento da demanda.

Nos últimos cinco dias, o secretário de Saúde, Dimas Gadelha, transformou o almoxarifado e a farmácia em salas de medicação, a sala de triagem está sendo ampliada e novas enfermarias estão sendo abertas. Além disso, a unidade recebeu um novo tomógrafo.
“Estamos fazendo adequação da unidade para receber todos esses pacientes. Quando ele chega à nossa unidade, recebe uma classificação de risco que torna variável o tempo de atendimento. Estamos absorvendo toda essa demanda vinda da rede estadual.

Nossas portas estão abertas, mas o importante neste momento não é colocar o paciente aqui dentro e sim assisti-los com dignidade”, disse a diretora do PSSG, Ana Paula Silva.

O PSSG tem uma escala fixa com 204 médicos para atendimento em diversas especialidades, como clínica geral, clínica médica, cardiologia, ortopedia, odontologia, cirurgia vascular, cirurgia torácica, cirurgia urológica, cirurgia plástica corretiva, entre outros.

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