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SOS nos hospitais da região

Decreto autoriza reforço da PM e bombeiros em unidades do Rio, SG e Niterói

relogio min de leitura | Redação 18 de dezembro de 2015 - 19:55

O Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, está entre as unidade onde haverá reforço

Foto: Alex Ramos

Por Marcela Freitas

Policiais Militares e Bombeiros irão reforçar o atendimento na Rede Estadual de Saúde. Um decreto autorizativo (45.505) publicado no Diário oficial do Estado na última quinta-feira prevê a disponibilização de servidores públicos militares do Estado, insumos e equipamentos para atender às unidades da rede estadual de saúde, no período de ontem até o dia 7 de janeiro de 2016. A medida faz parte da atuação do Estado, diante da crise financeira, que pode forçar o fechamento das emergências do estado.

Preocupados com o aumento da demanda nos hospitais municipais, secretários de saúde e prefeitos da região se reuniram na manhã de ontem, com o governador Luiz Fernando Pezão e o secretário estadual de Saúde, Felipe Peixoto, para traçar medidas que minimizem os transtornos à população.

Segundo a assessoria da Secretaria de Saúde, a disponibilização dos militares já foi usada de maneira informal, pontualmente, em outras situações. Trata-se de um plano de contingência, traçado de forma preventiva, considerando que o período de festas de fim de ano é crítico no que se refere a escalas de plantão médico de urgência e emergência, historicamente com muitos registros de falta de funcionários. O objetivo é garantir o atendimento e a prestação de serviços de saúde à população.

Ainda segundo a nota, “a formalização da medida, via publicação de decreto no Diário Oficial do Estado, também é parte da atuação do Estado, diante da crise financeira. A Secretaria reitera que vem reunindo esforços, dia a dia, junto às secretarias municipais de saúde, ao Ministério da Saúde, outros órgãos do Governo do Estado e até à iniciativa privada, para manter suas unidades funcionando no intuito de minimizar ao máximo possível os transtornos à população e restabelecer os serviços eventualmente suspensos ou restritos”.

“Toda a movimentação feita acontece no intuito de buscar alternativas e soluções para cumprir com suas responsabilidades financeiras. O que inclui pagamento de fornecedores e Organizações Sociais de Saúde e, consequentemente, seus serviços terceirizados. O cenário só deverá se normalizar, no entanto, mediante repasses para o Fundo Estadual de Saúde”.

População já começa a sofrer reflexos da crise nas emergências

Simone não conseguiu atendimento no Heal, nem no Heat
Simone não conseguiu atendimento no Heal, nem no Heat

Em 2010, um diagnóstico feito de maneira incorreta, fez com que a comerciante Simone Cristina da Silva, 48 anos, que sofre com diabetes, perdesse os movimentos da mão direita. Cinco anos depois, ela teme dessa vez perder o movimento do pé esquerdo. Na manhã de ontem, sentindo fortes dores, ela procurou o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), mas foi indicada a procurar a emergência do Hospital Estadual Alberto Torres (Heat). Mas, na unidade, ela também não conseguiu atendimento.

“O médico disse que hoje só atenderiam traumas. Furei meu pé com um prego e sou diabética. Pedi para que me aplicassem pelo menos uma insulina e nem isso foi feito. Já perdi o movimento numa das minhas mãos e não quero perder no pé. Já dependo muito das pessoas. Estou cansada de tanto descaso. Nada é de graça. Pago impostos para ter direito a saúde pública de qualidade. Não estou pedindo favor”, reclamou.

No Heal, a situação não era diferente. Com dores provocadas por uma hérnia umbilical, a aposentada Neucir Souza, 68, teve atendimento negado. “Estive aqui anteriormente e o médico me orientou a fazer exames particulares para que pudesse operar rapidamente. Fiz os exames e pensei que hoje fosse me livrar desses problemas, mas o médico disse não teria como me operar. Não sei mais o que faço. Estou com muitas dores”, lamentou.

A dona de casa, Iara Martins Sodré, 60, também teve problemas e foi orientada a procurar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). “Estou com bicho de pé e não dormi com tantas dores. Nunca tive problema com esse hospital. É uma pena ver o que estão fazendo com ele”, afirmou.

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