SOS nos hospitais da região
Decreto autoriza reforço da PM e bombeiros em unidades do Rio, SG e Niterói

O Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, está entre as unidade onde haverá reforço
Foto: Alex RamosPor Marcela Freitas
Policiais Militares e Bombeiros irão reforçar o atendimento na Rede Estadual de Saúde. Um decreto autorizativo (45.505) publicado no Diário oficial do Estado na última quinta-feira prevê a disponibilização de servidores públicos militares do Estado, insumos e equipamentos para atender às unidades da rede estadual de saúde, no período de ontem até o dia 7 de janeiro de 2016. A medida faz parte da atuação do Estado, diante da crise financeira, que pode forçar o fechamento das emergências do estado.
Preocupados com o aumento da demanda nos hospitais municipais, secretários de saúde e prefeitos da região se reuniram na manhã de ontem, com o governador Luiz Fernando Pezão e o secretário estadual de Saúde, Felipe Peixoto, para traçar medidas que minimizem os transtornos à população.
Segundo a assessoria da Secretaria de Saúde, a disponibilização dos militares já foi usada de maneira informal, pontualmente, em outras situações. Trata-se de um plano de contingência, traçado de forma preventiva, considerando que o período de festas de fim de ano é crítico no que se refere a escalas de plantão médico de urgência e emergência, historicamente com muitos registros de falta de funcionários. O objetivo é garantir o atendimento e a prestação de serviços de saúde à população.
Ainda segundo a nota, “a formalização da medida, via publicação de decreto no Diário Oficial do Estado, também é parte da atuação do Estado, diante da crise financeira. A Secretaria reitera que vem reunindo esforços, dia a dia, junto às secretarias municipais de saúde, ao Ministério da Saúde, outros órgãos do Governo do Estado e até à iniciativa privada, para manter suas unidades funcionando no intuito de minimizar ao máximo possível os transtornos à população e restabelecer os serviços eventualmente suspensos ou restritos”.
“Toda a movimentação feita acontece no intuito de buscar alternativas e soluções para cumprir com suas responsabilidades financeiras. O que inclui pagamento de fornecedores e Organizações Sociais de Saúde e, consequentemente, seus serviços terceirizados. O cenário só deverá se normalizar, no entanto, mediante repasses para o Fundo Estadual de Saúde”.
População já começa a sofrer reflexos da crise nas emergências

Em 2010, um diagnóstico feito de maneira incorreta, fez com que a comerciante Simone Cristina da Silva, 48 anos, que sofre com diabetes, perdesse os movimentos da mão direita. Cinco anos depois, ela teme dessa vez perder o movimento do pé esquerdo. Na manhã de ontem, sentindo fortes dores, ela procurou o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), mas foi indicada a procurar a emergência do Hospital Estadual Alberto Torres (Heat). Mas, na unidade, ela também não conseguiu atendimento.
“O médico disse que hoje só atenderiam traumas. Furei meu pé com um prego e sou diabética. Pedi para que me aplicassem pelo menos uma insulina e nem isso foi feito. Já perdi o movimento numa das minhas mãos e não quero perder no pé. Já dependo muito das pessoas. Estou cansada de tanto descaso. Nada é de graça. Pago impostos para ter direito a saúde pública de qualidade. Não estou pedindo favor”, reclamou.
No Heal, a situação não era diferente. Com dores provocadas por uma hérnia umbilical, a aposentada Neucir Souza, 68, teve atendimento negado. “Estive aqui anteriormente e o médico me orientou a fazer exames particulares para que pudesse operar rapidamente. Fiz os exames e pensei que hoje fosse me livrar desses problemas, mas o médico disse não teria como me operar. Não sei mais o que faço. Estou com muitas dores”, lamentou.
A dona de casa, Iara Martins Sodré, 60, também teve problemas e foi orientada a procurar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). “Estou com bicho de pé e não dormi com tantas dores. Nunca tive problema com esse hospital. É uma pena ver o que estão fazendo com ele”, afirmou.