Preocupação com o Aedes
Aumento no número de casos de doenças de verão deixa autoridades em alerta em SG e Niterói

O acúmulo de água parada facilita proliferação de criadouros do mosquito transmissor de doenças
Foto: Leonardo FerrazPor Sérgio Soares e Thuany Dossares
A chegada das estações quentes, com intensificação de chuvas, e a proximidade do verão, no próximo dia 22, aumentam as possibilidades de proliferação de focos do mosquito Aedes Aegypti, e com eles, os ricos de epidemias. De janeiro a novembro deste ano, mais de duas mil pessoas foram diagnosticadas com a doença em regiões de Niterói e São Gonçalo.
Um agravante: as autoridades de saúde constataram que diversas pessoas que estão apresentando os sintomas do Zika Vírus nas últimas semanas, embora ainda não haja estatísticas oficiais sobre a evolução da nova doença. Em relação à dengue, os bairros gonçalenses com o maior número de incidência são Jardim Catarina, Trindade e Itaúna. Mas no Rocha, um grande criadouro do inseto foi encontrado. Na Rua Armando Silvestre, uma espécie de ‘lixão’ à céu aberto também acumula pneus e aguá parada.
“É só chover que esses pneus enchem. As pessoas também deveriam se conscientizar e não jogar lixo aqui. É um risco para toda população, porque atrai o mosquito da dengue e da zika. Temos que fazer a nossa parte e evitar”, contou o pedreiro Dailton Feitosa, de 67 anos, que mora neste endereço.
O agente comunitário de saúde André Tamandaré não se conforma com o descaso visto na localidade. “Acho um absurdo ver essa situação. É um trabalho conjunto entre governo e população. As pessoas não podem jogar lixo aqui, como eu mesmo já flagrei uma Kombi parando para fazer isso. As autoridades tem que cumprir o seu dever de pavimentar, fiscalizar e oferecer saneamento básico. Tudo isso visando a saúde dos cidadãos, para que eles não sejam vítimas do mosquito que pode ceifar várias vidas”, declarou.
No Mutuá, em apenas um quarteirão, cerca de 10 pessoas foram diagnosticadas com Zika Vírus. E na esquina das ruas Mascarenhas de Moraes e Simão Lima, um terreno também se tornou outro foco de reprodução do Aedes Aegypti.
“Moro a 50 metros deste terreno. Meu maior medo é a minha sobrinha, que está grávida de dois meses. Temo porque vemos o tempo todo agora nos noticiários o surto de microcefalia”, declarou o vendedor Marcos Pereira, 50. Em Niterói, os maiores índices de proliferação do inseto são nos bairros Viradouro, Vital Brazil e Cachoeira.
Como combater - Manter caixas d’água fechadas, limpar calhas, encher os pratilhos de vasos de planta com areia até a borda, não deixar que garrafas e outros recipientes acumulem água e guardar pneus em locais abrigados da chuva são formas de prevenção.