A saúde que gera ‘dor de cabeça’
Demora em Unidades de Pronto Atendimento em SG fazem usuários passarem transtornos

Sônia Maria Morais peregrinou durante dois dias pelas UPAS da região, mas Não conseguiu resvolver seu problema, Em Santa Luzia, demora irritou usuários
Foto: Alex RamosPor Marcela Freitas
Há dois dias, a doméstica Sônia Maria Morais, de 63 anos, peregrina por Unidades de Pronto Atendimento (UPA), em busca de respostas para as dores no corpo, nos olhos e manchas vermelhas na pele. Mas, a solução para seu problema parece estar longe do fim. Segundo pacientes, a máquina que analisa o sangue na UPA de Santa Luzia, em São Gonçalo, está quebrada e, sem o exame, os doentes não conseguem ter certeza do diagnóstico. O resultado disso são remédios paliativos para passar a dor sem que o problema seja realmente tratado.
De acordo com Sônia, a suspeita dos médicos é que ela esteja com Zica Vírus, e, para se certificar do diagnóstico, o Clinico geral pediu que ela fizesse exame de sangue, mas como a máquina estava quebrada, foi orientada a voltar na manhã de ontem, e, acabou tendo a mesma resposta do dia anterior: Volta amanhã.
“Estive aqui na segunda-feira porque não estava aguentando de tanta dor. O médico pediu que eu fizesse um hemograma, mas não consegui. Me mandaram voltar hoje (Ontem). Minha família então me levou a outras unidades da UPA no Colubandê e também noFonseca, em Niterói. Mas como estavam lotadas pediram que eu voltasse a unidade mais próxima da minha casa. Estou aqui e me mandaram voltar amanhã. Sem saber o que realmente tenho, não posso me medicar corretamente. Isso é um desrespeito com a população”, reclamou Sônia.
Outra que também não conseguiu realizar o exame foi à vendedora Vânia as Silva Ferreira, 36. “Estou com o corpo coberto de manchas e dores nas articulações. Cheguei por volta das 6 horas da manhã e colheram meu sangue. Falaram que o resultado sairia em três horas e nada. Depois de muito esperar, me informaram que a máquina está quebrada e pediram para eu voltar a tarde. A única medicação que me indicaram foi soro”, revelou Vânia.
Com uma forte crise alérgica, o eletricista Wagner Macedo disse que esperou mais de duas horas pelo atendimento na UPA de Santa Luzia. “O atendimento aqui é sempre muito demorado. Para conseguir, cheguei bem cedo. Quem chega tarde chega a esperar mais de 5 horas”, afirmou.
Além dos problemas com maquinários e atendimento, pacientes relatam que a limpeza do local está deixando a desejar e, nos banheiros faltam até papel higiênico. “Temos um único banheiro comum a homens, mulheres e crianças. A pia está entupida e a limpeza parece não ser feita há muito tempo. O descaso é muito grande”, contou o lanterneiro Wilson Dias, 36 anos.
Colubandê- Na UPA do Colubandê os problemas se repetem. Além da superlotação do local, pacientes reclamam da demora do atendimento. “Me colocaram na fila de prioridade porque o médico achou que eu estava enfartando. Mesmo com esse cuidado, esperei quase duas horas. Já teve dias em que cheguei aqui passando mal e fiquei mais de 8 horas aguardando”, disse a dona de casa Lucimar de Souza, 51 anos.
Outro que também precisou esperar foi o pintor Carlos Eduardo Vieira dos Santos. “Estou com dores na coluna há 15 dias. Depois de esperar mais de duas horas, fui atendido e recebi o encaminhamento para um ortopedista. Por conta dessas dores, não consigo trabalhar”, afirmou.
A coordenação da UPA São Gonçalo 1 (Colubandê) informou que a paciente Sônia Maria Moraes Ribeiro procurou a unidade nesta terça-feira (8/12), tendo sido atendida, avaliada e liberada em seguida. A coordenação da UPA esclarece que não há registro de entrada da paciente na segunda-feira (07/12). A coordenação da unidade informa ainda que a equipe médica da UPA São Gonçalo 1 está completa nesta terça-feira (8/12), com cinco clínicos e três pediatras, tendo realizado, até o momento, o total de 116 atendimentos, sendo 81 de clínica médica e 35 de pediatria.
A coordenação da UPA São Gonçalo 2 (Santa Luzia) informou que o laboratório de análise de exames da unidade está funcionando normalmente, sem relato de que haja qualquer equipamento quebrado. Informa ainda que desconhece a informação de falta de limpeza e material de higiene pessoal, como o citado na demanda, no banheiro de uso comum da unidade. Os funcionários de limpeza estão atuando normalmente na unidade, no entanto, vale ressaltar que o bom uso dos sanitários é também de responsabilidade dos usuários. Nesta terça-feira (08/12), a equipe médica da unidade está completa, tendo realizado, até o momento, o total de 139 atendimentos, sendo 94 de clínica médica e 45 de pediatria.