Quando o perigo vem do alto
Intensificação das chuvas preocupa população e deixa Defesa Civil em alerta

Coronel Adilson dá orientações e explica como funciona o plano de emergência em SG
Foto: Alex RamosHá cinco anos, sempre que chove, o técnico de construção naval Marco Antônio Torres Paz, de 62 anos, passa as noites em claro. São horas observando pela janela ou no terraço de casa, o Morro do Almirante, no Porto Velho, em São Gonçalo. Mas seus olhos não contemplam a beleza do local e, sim, os perigos que ele oferece.
No dia 09 de abril de 2010, parte da barreira do Morro do Almirante se desprendeu e invadiu seu terreno. Um templo umbandista, vizinho a seu imóvel, foi soterrado mas Antônio teve mais sorte e perdeu apenas o lago que ficava no fundo de seu quintal, com mais de mil peixes.
Além deste problema, Antônio convive também com os alagamentos. Morador da Rua Manoel Duarte, no Porto Velho, sempre que chove, a rua alaga e sair de casa se torna uma missão impossível.
“Tenho medo do que pode acontecer. A Defesa Civil orientou a dormir na sala de casa em caso de curva forte, mas quem dorme sabendo que é vizinho do perigo? Parte dos moradores que viviam na encosta do Morro já foram retirados, mas as casas estão ali. O pânico é constante”, disse.
Antônio conta que em 2010, muito barro e pedras invadiram seu quintal. Foi preciso da ajuda de um trator para retirar parte do material. “Perdi mais de 30 metros de quintal. Onde hoje se vê mato, há cinco anos se via um lindo lago. Eu cuidava dos meus peixes com maior carinho. O barro soterrou tudo, mas por sorte nenhum morador do entorno se feriu”, contou.
Para evitar possíveis tragédias, o presidente da Associação de Moradores e Pescadores do Porto Velho e suas Praias (Ampovep), Orivaldo Freire Alves, o Durval, 63, solictou apoio da Prefeitura de São Gonçalo. E por isso, foram instaladas na sede da Ampovep, sirenes - um sistema preventivo de alerta em caso de encharcamento do solo. A associação também se tornou um ponto de apoio em caso de chuvas.
De acordo com o presidente, estima-se que cerca de 100 famílias da região vivam em área de risco. “Pedimos a Deus que não aconteça nada. A Defesa Civil nos informou que caso haja um desmoronamento da barreira, ela pode chegar ao meio da rua. Temos várias casas que seriam atingidas”, disse.
Segundo o presidente, os alagamentos na via preocupam. “Aqui passam muitos veículos. E quando chove se formam grandes piscinas”, apontou.
Prefeitura vem cuidando da prevenção
Para tentar minimizar os efeitos da chuva na vida dos gonçalenses, a Defesa Civil do município, modernizou os seus sistemas de alerta. Desde outubro, 25 sirenes foram instaladas por toda cidade. Dez pluviômetros eletrônicos (aparelho que mede a quantidade de chuva) estarão ligados às sirenes, alertando a população local. Os bairros beneficiados foram Itaúna, Nova Grécia, Zumbi, Pita, Novo México, Tenente Jardim, Engenho Pequeno, Boa Vista, Venda da Cruz, Patronato, Tribobó, Porto Novo, Covanca, Gradim e Laranjal.
De acordo com o secretário de Segurança e Defesa Civil, o coronel do Corpo de Bombeiros Adilson Alves, as sirenes foram instaladas em bairros com históricos de deslizamentos. “A escolha por esses bairros foi baseada em protocolos de movimento e pontos de escorregamento. Caso atinja 70 milímetros cúbicos de chuva concentrado no município, essas sirenes serão tocadas e ao toque, a população está orientada a seguir para o ponto de apoio onde será recebida por pessoas que estejam integrando o núcleos e posteriormente, a Defesa Civil seguirá para o local ”, afirmou.
Ainda de acordo com o secretário, Defesa Civil é obrigação de todos. “A contribuição da população é muito importante. Além da implantação de núcleos em cada ponto de sirenes, estamos com dois projetos em escolas públicas. As crianças apreendem noções de preservação e levam esse aprendizado para suas casas. A população precisa fazer também a sua parte não jogando lixo nas ruas e nos rios. Com o esforço coletivos, vamos minimizar possíveis problemas”, garantiu.
