As aventuras de um gonçalense no Afeganistão

Durante seus quatro anos na Legião Estrangeira, Bruno atuou em missões em várias partes do mundo, combatendo junto aos americanos na Guerra do Afeganistão
Foto: Alex RamosBruno Lobato Abranches, 35 anos, serviu como voluntário durante quatro anos na temida Legião Estrangeira Francesa, participando de várias guerras em vários países, como Guiana Francesa e Afeganistão.
“Logo que vi o ataque em Paris pela TV liguei para meus amigos. Eles falaram que estavam indo para o combate. Na França, a Legião é a primeira tropa convocada em casos desse tipo. Queria muito estar lá ajudando aquelas pessoas. Voltei ao Brasil para descansar, mas é isso que gosto de fazer e pretendo reingressar na Legião”, afirmou.
Histórico - Bruno que nasceu em Belém, no estado do Pará, se mudou com dois anos para o Rio em companhia do pai, militar da Marinha. Aos 17 anos seguiu a carreira do pai e ingressou no Corpo de Fuzileiros Navais, indo atuar na fronteira da Amazônia.
Dali, ao final de nove anos e com a experiência adquirida, resolveu integrar a Legião Francesa.
Na primeira tentativa, ele e um amigo, que também havia sido dispensado dos fuzileiros navais, resolveram fazer uma escala em Madri, na Espanha. em 2007, mas acabaram sendo deportados pelas autoridades espanholas.
Bruno não desistiu e, uma semana depois, estava de volta à França, desta vez sem escala. Sem falar a língua do país, ele não sabia o que o esperava e mesmo assim, resolveu encarar os desafios. Após três dias no país, Bruno se apresentou como voluntário num quartel da Legião Estrangeira, e com o currículo de 9 anos como fuzileiro naval, acabou sendo aceito para o processo seletivo.
De imediato ele perdeu o seu nome, pois durante a seleção o candidato tem direito ao anonimato e ganha uma nova identidade. ‘Rebatizado’ como Diego Adrinos, Bruno entregou suas roupas e objetos pessoais e ‘mergulhou de cabeça’ na nova experiência. Após 15 dias de exames médicos, um teste psicotécnico, uma série de entrevistas e testes físicos ele foi aprovado e passou por quatro meses de treinamento, tendo que sobreviver um mês isolado.
Missão - A primeira missão de Brunocomo legionário foi na Guiana Francesa, lutando justamente contra narcotraficantes e grupo de brasileiros que tentavam entravam ilegalmente no país. Responsável pelas prisões dos “inimigos”, Bruno participou de muitos combates.
“Estive em várias missões em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes; Dijibute, na África e no Afeganistão, no Oriente Médico, minha última e mais difícil participação”, relembra.

Combates em várias partes do mundo

A Legião Estrangeira é uma unidade de soldados de diversas nacionalidades, que lutam pelos interesses da França junto às suas colônias na África, Oceano Pacífico, América do Sul e Caribe. Aliada ao Exército francês, a Legião aceita o alistamento de pessoas de qualquer país do mundo.
A unidade de elite do exército francês é composta por cerca de 7 mil estrangeiros de mais de 130 nacionalidades diferentes. Estima-se que pelo menos 100 brasileiros são contratados a cada ano, pelo legendário exército que defende os interesses da França mundo afora, sobretudo em áreas conflituosas.
O número exato de brasileiros não é divulgado pela Legião Estrangeira. Porém, de uns cinco anos para cá, a procura tem aumentado, mesmo sabendo que ao vender seus serviços para a França estão se expondo a riscos de morte.
A Legião foi fundada em março de 1831 pelo então Rei da França, Luís Filipe, para ajudar no controle das colônias francesas na África. Ao longo de sua história, a Legião Estrangeira participou das maiores batalhas militares do mundo.
Quem pode se candidatar à Legião
Homens e mulheres estrangeiros podem se alistar, desde que tenham entre entre 17 a 40 anos e um documento de identidade válido. Não é preciso nem mesmo falar francês, e o alistamento é feito em 11 escritórios em toda a França. Depois de três anos de serviço, os legionários têm direito à residência na França e à nacionalidade francesa. Outro grande incentivo é o salário: cerca de R$ 4,5 mil, como vencimentos básicos no início.