Familiares temem por pacientes internados em regime provisório

>> Parentes dos pacientes liberados não podem acolhê-los
Foto: Filipe AguiarPor Marcela Freitas
Familiares de pacientes do extinto Hospital São Miguel, que atendia pacientes de longa permanência, estão preocupados com o futuro incerto de 22 pacientes internados provisoriamente, desde o dia 28 de março, no Hospital Franciscano Nossa Senhora das Graças, no Pacheco, em São Gonçalo.
Na manhã de ontem, três pacientes receberam alta médica e a previsão é quem em 15 dias os demais também sejam liberados para voltar ao convívio familiar. No entanto, familiares deste pacientes, garantem não poder cuidar deles em casa, já que muitos têm um quadro de incapacidade irreversível.
De acordo com Lucia Araújo, 57, seu marido Cideval Motta, 61, foi acometido pela doença Mal de Pott (tuberculose vertebral), e, por este motivo, é acamado e incapaz. “Sei o que passei com o meu marido e não quero vê-lo sofrendo sem auxilio médico”, lamentou.
O mesmo problema é vivido pela dona de casa Maria Lucia Weber, 42, que, há 10 anos, internou sua mãe, Lucia Weber, 62, no extinto Hospital São Miguel. “Tenho um filho autista que necessita de toda a atenção. Minha mãe teve quatro acidentes vasculares celebrais (AVC), duas isquemias é diabética e obesa”, disse.
Um pouco mais complicado é o caso da cuidadora Greice Helen da Silva, 25, que vive na casa da mãe com os dois filhos e não dispõe de recursos para onde levar o pai Mario Antonio da Silva, 48, que teve a perna amputada e sofre com distúrbios neurológicos.
A direção do Hospital Franciscano informou que os pacientes foram recebidos a pedido da Secretaria Municipal de Saúde de maneira provisória, já que a unidade é um hospital geral e não de longa permanência. Segundo a secretaria, “nas altas para casa, os pacientes que necessitarem de cuidados serão acompanhados pelos serviços de saúde pertinentes como: Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) e Centro de Atenção Psicossocial (CAPs)”.