Idosa dá lição de amor em São Gonçalo
Professora de desenho se dedica há 45 anos a alunos de várias idades e histórias

As turmas de Bette Fonseca, 73 anos, estão sempre cheias, graças ao famoso ‘boca a boca’
Foto: Alex RamosPor Marcela Freitas
Usar a arte como facilitadora da vida. Essa tem sido a contribuição da professora de desenho Bette de Oliveira Fonseca, de 73 anos, que há mais de 45 se dedica a ensinar aos mais diferentes alunos.
Formada pela Escola de Belas Artes Fluminense na década de 1970, a professora passou repassar suas técnicas para alunos em casa, no centro de São Gonçalo. Apesar de nunca ter feito nenhuma divulgação sobre seu trabalho, mais de 200 alunos já passaram por sua “escola”.
Com turmas de segunda a sábado, Bette já viu passar pelo seu estúdio diversos artistas. “Aqui os alunos chegam indicados por outros alunos. Tenho turmas com mais de 14 anos. É uma relação de amigos”, contou Bette.
Muitos alunos fazem da aula de Bette uma terapia ocupacional. Mas há dois anos foi Bette que precisou de ajuda.
“Recebo aqui muitos alunos com problemas de saúde que estão em busca de terapia e motivação. Mas quase desisti de tudo quando perdi meu marido, com quem era casada há mais de 48 anos. Após a partida dele. fiquei muito deprimida e, graças aos meus alunos não desisti. Eu que sempre os estimulei, precisei de ajuda. Recebi todo apoio das minhas turmas e continuamos aqui”, lembrou emocionada.
Superando desafios - Há cinco anos, a aposentada Marília da Silva, 77, foi acometida pelo mal de Parkinson (doença do cérebro, que provoca tremores e dificuldade na coordenação). Junto a isso, Marilda perdeu um filho, e a depressão foi inevitável. Vendo o sofrimento da idosa, um amigo indicou as aulas de pintura de Bette, e a vida de Marilda mudou.
“Nunca havia pintado antes, mas aqui encontrei um refúgio para meus problemas. Pintar é uma terapia e me motiva muito. Estou terminando este quadro de paisagem, mas o que mais gosto é de pintar são as flores. Quando termino um quadro procuro presentear meus familiares, que fazem questão da minha assinatura”, disse Marilda orgulhosa.