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Moradores se mobilizam pela Fazenda Colubandê

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 08 de novembro de 2015 - 22:06

Vestidas com camisetas pretas, cerca de 200 pessoas participaram do protesto domingo de manhã

Foto: Alex Ramos

Por Celso Brito

Cerca de 200 pessoas com camisetas pretas protestaram, na manhã de domingo (9), na Fazenda Colubandê, em São Gonçalo, para cobrar uma definição das autoridades públicas em relação à restauração do prédio principal e da capela de Sant’Anna, que fazem parte do conjunto arquitetônico do século XVII tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O evento, que ganhou até faixa de convocação estendida na frente do monumento histórico, foi organizada pela professora Mansuária Araújo. Os manifestantes se posicionaram na frente do casarão e depois seguiram em passeata pelas principais vias do Colubandê para chamar a atenção dos moradores da região para o abandono do prédio histórico.

Um dos manifestantes era o cabeleireiro Walter Félix, de 45 anos, que foi ao evento acompanhado da mulher Marina e da filha Cecília.

“Morei aqui em frente. Agora moro no Capote, um bairro muito próximo daqui. Portanto convivo com a Fazenda desde que nasci. Estou aqui todos os dias para fazer caminhadas. Dá uma tristeza muito grande quando a gente vê a destruição do local, sem que se tenha uma autoridade para pedir ajuda”, disse.

Para Walter, a fazenda poderia ser um museu, uma escola, mas segundo ele, caminha para ser uma cracolândia.

“Nossa sorte é que no período em a fazenda ficou ocupada pelo Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente, eles conseguiram preservar alguma coisa. Agora não tem ninguém e quem manda são os usuários de drogas que utilizam os vários cômodos”, disse o cabeleireiro.

Estado e Iphan analisam projeto de restauração

Sem o Batalhão de Polícia Florestal desde 2012, a Fazenda Colubandê está sob a responsabilidade da Secretaria Estadual de Planejamento (Seplag). Em maio deste ano, o juiz federal Fabio Tenenblat, da 3ª Vara Federal de São Gonçalo, sentenciou a recuperação do patrimônio com um prazo de 120 dias para que o Governo do Estado e o Iphan apresentassem um projeto.

A Seplag informou a O SÃO GONÇALO, em outubro, “que o termo de referência para a licitação do projeto de restauro do casarão e da capela já foi encaminhado ao juiz”.

Já o Iphan declarou que estava aguardando o envio o projeto orçado em cerca de R$185 mil para analisar e, eventualmente, aprová-lo para ser executado.

Um dos monumentos históricos mais importantes de São Gonçalo, que já foi badalado ponto turístico e alvo de centenas de pesquisas, está em completo abandono.

O vazio no interior do casarão denuncia que a mobília, lustres, portas, janelas e tantas outras peças históricas simplesmente desapareceram. Além de muito lixo, até preservativos podem ser encontrados em quase todas as salas.

Na capela de Sant’Anna, o mesmo caos. Já não resta um banco de madeira sequer, e todas as peças do altar foram furtadas.

Do lado de fora, a única parte preservada é o painel de Djanira, pintado em homenagem às mulheres na década de 1960.

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