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Morre Gilberto Gomes, o ‘professor’ do samba

relogio min de leitura | Redação 04 de novembro de 2015 - 21:16

O professor Gilberto Gomes não resistiu a um infarto fulminante. Ele foi enterrado, na tarde de ontem, no Cemitério Parque da Paz

Gilberto Gomes sempre teve na vida duas grandes paixões: o ensino e o samba. Como professor de Matemática, passou ensinamentos a legiões de alunos em São Gonçalo e Niterói nos últimos 20 anos. E era também em outras escolas - as de samba - que ele se realizava, dando vazão à arte de cantar e compor. De microfone em punho, defendeu a Viradouro, sua grande paixão, e também músicas que criava para concursos, não apenas de agremiações do Rio, mas de São Paulo e de outras regiões do país. Mas o coração desse ‘poeta’, que tantas emoções acumulou ao longo da vida, não suportou um infarto na noite da última terça-feira. Aos 57 anos, ele deu, ontem, o ‘último adeus’ a uma legião de amigos, alunos e ex-estudantes, que foram sepultá-lo no Cemitério Parque da Paz, em Pacheco, São Gonçalo.

Como fazia habitualmente, Gilberto, anteontem, trabalhou no Colégio Municipal Estephânia de Carvalho, no Laranjal, e estava indo se encontrar com um velho amigo “do peito”, o cantor Dominguinhos do Estácio, na casa do intérprete, no Galo Branco, em São Gonçalo. Lá, faria uma das coisas que mais gostou em vida: lecionar. A pedido do amigo, ele daria aulas de reforço aos filhos daquele que foi um dos grandes ‘parceiros’ também na música. Mas por obra do destino, o coração de Gilberto parou de bater em plena Avenida Maricá, pouco depois dele se sentir mal. Um infarto fulminante interrompeu a carreira daquele que foi considerado um dos maiores “professores” da arte de compor sambas-enredo em escolas de samba nos últimos anos.

“Filho” de São Gonçalo, ele foi criado no bairro Almerinda, onde sempre morou. Gilberto cresceu sonhando em se tornar professor, mas nunca deixou de lado a outra arte da qual foi um grande “mestre”: a de compor. E fez história no mundo do samba com as mais de 200 músicas que criou. Gilberto fazia questão de dizer que “era Viradouro” da época de Amaral Peixoto”, uma alusão aos tempos em que a vermelha e branca de Niterói nem pensava em atravessar a Baía de Guanabara. Dessa forma, construiu uma brilhante carreira, não apenas como intérprete, mas também como multicampeão.

Foi na Viradouro que conquistou a marca de oito vitórias. Gilberto é um dos criadores de um dos hinos mais conhecidos dos amantes do Carnaval que diz: “Hoje o amor está no ar, vai conquistar seu coração”, em alusão ao Orfeu do Carnaval, obra de Vinicius de Moraes apresentada pela Viradouro no Carnaval de 1988, já como uma das grandes do mundo do samba. Apesar de apaixonado pelo samba, Gilberto nunca deixou de lecionar. Por causa do jeito cativante e bem humorado, fez muitos amigos entre os alunos com quem conviveu.

O último “adeus” aos sambistas teve a presença de amigos das escolas de samba e da vida - por onde passou. A “platéia” era composta por 200 pessoas. “Abraçado” a uma bandeira da Viradouro, que foi colocada sobre ele, se despediu como sempre terminava seus shows: sob muitos aplausos, que sempre foram o valor maior para todo grande artista. Valeu Gilberto Gomes! Deus ganhou companhia de um autêntico “mestre”.

Depoimentos

“Perdi um amigo. Um parceiro. Ele era um talento nato e amigo de todas as horas”

Paulo César Portugal - Presidente da Ala dos Compositores da Viradouro

“Gilberto Gomes foi um exemplo de vida. No trabalho e na música”

Dominguinhos do Estácio - Cantor e compositor

“Estou triste pelo Gilberto, era um amigo na alegria e na dor”

Floriano do Caranguejo - Compositor
“Gilberto era um amigo leal e extremamente talentoso na arte de compor”

Manolo - Compositor

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