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Ex-morador de São Gonçalo ganha o mundo com a arte da gastronomia

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 02 de novembro de 2015 - 21:08

Willians Halles já trabalhou em Dubai, nos Emirados Árabes, e atualmente é um grande chef no Rio

Foto: Divulgação

Por Marcela Freitas

Luz, câmera, ação. Imagine uma criança de infância pobre criada em uma das áreas mais vulneráveis de São Gonçalo, passando pelos mais difíceis percalços da vida, se tornar um dos mais renomados chefs de cozinha do mundo. Parece filme? É difícil de acreditar? Mas esse é o roteiro da vida real do chef Willians Halles Oliveira Silva, de 43 anos, criado pelo tio no Complexo do Salgueiro que, contrariando as expectativas, desbravou o mundo através de seus temperos.

Atualmente, Willians Halles trabalha na maior multinacional hotelaria na America Latina, o grupo Accor, na qual é chef do hotel Caesar Park Rio de janeiro Managed by Sofitel.

Mas para chegar ao patamar onde está hoje, Willians passou por provas bem difíceis. Nascido no Rio de Janeiro, aos 2 anos a mãe o abandonou e o deixou na casa do tio em São Gonçalo, e, nunca mais voltou para receber notícias.

Um ano depois, o pai de Willians apareceu e o levou para morar em Taubaté, no interior de São Paulo. Mas, aos 9, o pai de Willian morreu e ele precisou retornar a São Gonçalo e voltou a viver com o tio.

E foi com o tio que ele aprendeu a “arte” de cozinhar. O tio era chef no restaurante de um hotel em Copacabana, na Zona Sul do Rio e, como não tinha com que deixar Willians o levava junto para trabalhar. E foi na cozinha do hotel que ele deu os primeiros passos na profissão.

A identificação foi tanta que, aos 14 anos, ele conseguiu uma vaga de ajudante de cozinha em um restaurante em Ipanema.

Em 1998, a história de Willians começou a mudar. Ao saber da presença do chef francês Roland Villard no Rio, ele se apresentou e pediu uma oportunidade.

Na época, ele conseguiu uma vaga de cozinheiro com salário cinco vezes menor do que recebia. Mesmo assim, ele deixou seu cargo de chef de um restaurante na Zona Norte, para aproveitar a oportunidade.

Atualmente, Willians mora no Méier, na Zona Norte do Rio, é casado e tem dois filhos.

Lembranças da infância no Salgueiro

Entre as lembranças da infância no Complexo do Salgueiro, Willians recorda com carinho da pescarias, danças de quadrilhas das festas juninas e da igreja de Santana de Itaúna.

“O início da minha da minha adolescência foi no Salgueiro. Tive momento geniais, acredite. Pesquei camarão, catei caranguejo e siri em grande quantidade na lagoa que fica atrás da serra do Salgueiro, entre os conjuntos da PM e da Marinha. Tanto essa lagoa quanto as praias da região eram limpas e ricas na pesca artesanal”, contou.

Trabalhando cerca de 14 horas por dia, Willians conta que não vem a São Gonçalo por falta de tempo. O tio também morreu um ano após a aposentadoria.

“Meu tio foi um homem muito nobre, um cearense que era muito querido por todos, e apaixonado pela gastronomia. Ele influenciou e profissionalizou muitos jovens no Salgueiro”, disse.

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