Do lixo ao luxo: Morador de São Gonçalo transforma materiais recicláveis em peças criativas
Eduardo Paiva, encontrou na arte uma forma de lidar com a ansiedade e ressignificar a própria rotina

Após se aposentar, aos 47 anos, o morador do Jardim Catarina em São Gonçalo Eduardo Paiva, hoje com 57, encontrou na arte uma forma de lidar com a ansiedade e ressignificar a própria rotina. A partir disso, ele passou a transformar materiais descartados em peças criativas, dando nova vida ao que antes seria lixo. Antes acostumado a uma rotina ativa, Eduardo precisou se reinventar após a aposentadoria. Foi nesse processo que começou a enxergar potencial em objetos simples do dia a dia. Pedaços de madeira, rolhas de vinho, arames, papelão, palitos de picolé e até hastes de cotonete passaram a ganhar novos significados em suas mãos.
“Eu via o pessoal do reciclável passando na rua e comecei a juntar algumas coisas para ajudar. Mas depois pensei: isso também pode virar alguma coisa”, contou. A primeira criação surgiu de um objeto que seria descartado: a estrutura de madeira de um colchão. A partir dali, ele passou a dar forma aos chamados as peças, feitos com reaproveitamento de materiais. Com o tempo, as criações se diversificaram e hoje incluem esculturas, miniaturas e até móveis.
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Entre as peças, há figuras produzidas com rolhas de vinho, estruturas feitas com arame e até uma cadeira construída a partir de madeira retirada de pallet. Para Eduardo, praticamente tudo pode ser reaproveitado. “Tudo eu aproveito. Às vezes, aquilo que seria jogado fora pode se tornar uma coisa bonita. O lixo pode virar luxo”, afirmou. Além da criatividade, o trabalho também carrega um forte valor ambiental. Ao reutilizar materiais, Eduardo contribui para a redução do descarte irregular e reforça, na prática, a importância da reciclagem. Mais do que criar, Eduardo também preserva memórias. Ele sabe exatamente de onde veio cada material utilizado e relembra, com detalhes, a história por trás de cada peça que construiu. “Eu lembro de tudo, de onde veio cada coisa”, contou.

A arte também ganhou um papel ainda mais significativo em momentos difíceis. A perda dos pais e a necessidade de manter a mente ativa fortaleceram ainda mais o vínculo com o artesanato. “A gente não pode desistir. Sempre tem algo que a gente pode fazer. Cada um tem um dom”, disse. O talento começou a ganhar visibilidade por meio de feiras e também nas redes sociais. Atualmente, Eduardo participa da Feira do Ingá em Niterói, após ser aprovado na Casa do Artesão, onde expõe sua arte todo primeiro e terceiro sábado do mês, das 9h às 15h. As peças variam de R$ 10 a R$ 200, dependendo do material e do nível de detalhamento.

Além de produzir, ele também busca compartilhar o conhecimento e usar a arte como ferramenta de transformação social. Eduardo já realizou atividades ensinando técnicas de artesanato em espaços de acolhimento, como um Albergue da Misericórdia, onde ajudou pessoas em processo de ressocialização a ocuparem a mente e desenvolverem novas habilidades.
“É bom ocupar a cabeça e ainda pode ajudar outras pessoas. Às vezes, isso pode mudar o caminho de alguém”, destacou. Mesmo diante dos desafios e da desvalorização do trabalho artesanal, Eduardo segue criando, peça por peça, e mostrando que, com criatividade e sensibilidade, é possível transformar não apenas materiais, mas também histórias. “O lixo pode virar luxo. Basta olhar diferente”, finaliza. Interessados em conhecer o trabalho podem acompanhar pelas redes sociais: @duduarts7







