Em tempos de streaming, locadora de filmes segue aberta há mais de 30 anos em São Gonçalo
Loja fica no bairro Trindade

Em uma época dominada por plataformas de streaming e catálogos digitais, uma pequena locadora ainda resiste ao tempo no bairro Trindade, em São Gonçalo. Entre prateleiras cheias de capas de filmes e o cheiro característico de mídia física, o Império do Vídeo segue funcionando no mesmo endereço há mais de três décadas.
A loja fica na Rua Damasceno Duarte, 866, sala 103, e é comandada por Luciano Morse Alves, de 53 anos, que mantém o negócio que começou ao lado do pai em 1991.
“Na época, a locadora estava em alta. Meu pai tinha saído do banco e recebeu o dinheiro do tempo de serviço. Aí a gente teve essa ideia e viu que era um ótimo investimento”, relembra.
Desde então, muita coisa mudou no mercado de entretenimento. As fitas VHS deram lugar aos DVDs, e depois vieram os serviços de streaming. Ainda assim, Luciano decidiu manter a porta aberta, muito mais por tradição do que por lucro.

“É aquela coisa de manter a tradição, porque muita gente hoje não dá muito valor. Mas é importante”, diz afirmando que ainda consegue viver com a renda de sua locadora. “Tenho uns clientes fixos de locação e tenho os que me procuram para comprar filmes antigos, raros”, conta.
Apesar de o hábito de alugar filmes ter diminuído bastante, a locadora ainda mantém uma clientela fiel. Segundo Luciano, alguns frequentadores continuam visitando o espaço regularmente em busca de títulos difíceis de encontrar na internet.

Para quem ainda prefere manter o hábito de alugar um filme, o prazo para devolução ficou maior e o aluguel custa R$ 5. Para quem prefere comprar os filmes desejados, os preços variam de R$ 5 a R$ 40.
Assim como aconteceu com os discos de vinil, que voltaram a ganhar espaço entre colecionadores e amantes da música, Luciano acredita que o DVD também pode ter uma nova chance.
“As pessoas estão voltando. O vinil estava praticamente morto e agora está muito forte. Eu tenho expectativa de que o DVD também volte”, diz.
Mas, enquanto as locadoras não voltam para o topo, Luciano precisou aumentar o ofício. Para manter o negócio funcionando, o dono da locadora precisou adaptar o espaço e ampliar os serviços oferecidos. Hoje, além de vender e alugar filmes, ele também realiza trabalhos de informática.

“Faço impressão, agendamento, digitação… fui agregando serviços para continuar com as portas abertas”, conta.
Morador da Trindade e solteiro, Luciano chegou a servir na Aeronáutica. No entanto, decidiu dar baixa na carreira militar para investir no projeto que havia começado com o pai.

O parceiro de empreendimento faleceu em 2020, mas o legado continua vivo em cada estante da locadora.
Entre capas de filmes e histórias acumuladas ao longo de décadas, Luciano mantém o mesmo objetivo que o fez abrir as portas em 1991: preservar um hábito que marcou gerações.
“Eu diria para as pessoas voltarem. Porque isso aqui também é memória”, conclui.
