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Podas prejudicam arborização no Peró

Engenheiro florestal afirma que as podas excessivas condenam as árvores à morte

relogio min de leitura | Redação 13 de outubro de 2020 - 19:10
Imagem ilustrativa da imagem Podas prejudicam arborização no Peró

Moradores do Peró, em Cabo Frio, estão pedindo à Prefeitura que fiscalize a execução de podas de árvores autorizadas pela Secretaria municipal de Meio Ambiente e que faça o mesmo em podas não autorizadas. Em várias ruas do bairro, árvores foram condenadas à morte em consequência de podas excessivas, algumas autorizadas pelo poder público. Por outro lado, as espécies plantadas pela Secretaria do Meio Ambiente nos canteiros da orla do Peró não sobreviveram, deixando o calçadão apenas com os poucos coqueiros plantados há anos.

Na Avenida dos Pescadores e na Rua do Moinho, entre outras, os troncos de árvores chamam a atenção. Os moradores reclamam que há anos pedem programas de arborização, mas não são atendidos pela Prefeitura. Eventuais plantios, sem orientação técnica, são feitos por condomínios, moradores e comerciantes. Para podar ou suprimir uma árvore, é necessária autorização da Secretaria do Meio Ambiente. No Pontal do Peró, o reflorestamento de áreas degradadas (muitas invadidas pelo capim colonião) está sendo feito por moradores e ambientalistas, com mudas doadas pelo Horto Municipal.

Com profundo conhecimento em arborização urbana, o engenheiro florestal Nestor Prado Júnior, que já atuou na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e no INEA, analisou três fotografias de árvores podadas no Peró. Não gostou do que viu:

-- Realmente foi uma poda radical. Isso compromete a atividade fotossintética (as raízes das plantas absorvem água e sais minerais e as folhas absorvem luz do sol e gás carbônico, um gás presente no ar. Todos esses componentes são então combinados e geram a glicose, o alimento das plantas) e consequentemente a regeneração das mesmas. Estes cortes também favorecem a ação de fungos, podendo acarretar o apodrecimento do tronco – advertiu Nestor, atual Secretário de Meio Ambiente de Rio das Ostras.

Em recente reunião com o chefe do Parque Estadual da Costa do Sol, Ranieri Ribeiro, moradores e ambientalistas o alertaram sobre a invasão de plantas exóticas, especialmente leucenas e piteiras (agaves americanas) em áreas do parque e fora dele, neste caso sob controle da prefeitura. Estas espécies, de expansão acelerada, comprometem a vegetação nativa. Há dois anos, voluntários promoveram a supressão de piteiras no Morro do Vigia, mas o trabalho não impediu que elas proliferassem rapidamente no local.

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