Vereadores são soltos
Acusados de fraudes eleitorais, dois ex-dirigentes da Câmara conseguem habeas corpus

Por Sérgio Soares e Laryssa Moura
Mais dois vereadores de Saquarema acusados de fraudes eleitorais foram colocados em liberdade pela Justiça. O ex-presidente da Câmara Municipal, Romacart Azeredo de Souza (PMDB), e o ex-vice, Vanildo Siqueira da Silva, o Kilinho (PP) conseguiram a liberdade do presídio Ari Franco, em Água Santa, no Rio, beneficiados por habeas corpus impetrados na Justiça pelos advogados de defesa.
Os dois deverão voltar à Câmara para cumprir o restante dos mandatos iniciados a partir da eleição de 2012. Ambos foram reeleitos no pleito do último dia 2 de outubro, mas caso sejam condenados, perderão o direito de permanecer no legislativo de Saquarema.
Após as prisões dos vereadores pela Polícia Federal, em outubro, os políticos do legislativo municipal realizaram, no último dia 8, eleições para escolher a mesa diretora da casa até quando terminarem os mandatos dos eleitos em 2012. O vereador Rodrigo Borges (PSDB) assumiu a presidência e Gilvan Martinelle (SD), a vice-presidência. Romacart e Kilinho renunciaram apenas aos cargos que exerciam na Câmara e com a volta deles, os dois suplentes que assumiram suas vagas - Marcos Vinicius Batista e José Carlos Cabral, respectivamente, deixam o legislativo. Outros presos - Outros dois vereadores, Guilherme Ferreira de Oliveira, o Pitiquinho (PP), e Paulo Renato Teixeira Ribeiro (PMDB), também foram presos pela PF, mas acabaram soltos por força de habeas corpus, e estão respondendo ao inquérito em liberdade. As investigações da Polícia Federal que resultaram nas prisões indicam que políticos da Câmara ocupavam cargos públicos na base do chamado ‘coronelismo’, muitas vezes captando votos em troca de benefícios irregulares. Além de provas documentais, a PF também conseguiu áudios de conversas, através de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça.
Segundo a PF, os investigados realizavam boca de urna e compravam votos, tendo como contrapartida a distribuição de diversos bens, entre eles medicamentos e combustível, fornecimento de atestados médicos e receitas médicas controladas em branco, assim como benefícios em um hospital de grande porte.
Foram cumpridos, no dia 18 de outubro, cinco mandados de prisão e sete de condução coercitiva (quando o suspeito é conduzido pela polícia para depor), que foram expedidos pela Justiça. Todos os vereadores afirmam serem inocentes.