Câmara empossa novo presidente
Após escândalo que culminou com prisão de quatro vereadores, 2 suplentes também assumem

Três semanas após o escândalo que atingiu os meios políticos de Saquarema por causa da prisão de quatro vereadores da Câmara Municipal local, por agentes da Polícia Federal, a direção da casa realizou eleições para a escolha do novo mandatário para encabeçar a mesa diretora do Legislativo. O vereador Rodrigo Borges (PSDB), reeleito no últimas eleições municipais, com 1.171 votos, foi o escolhido, em sessão realizada na noite de anteontem.
Rodrigo assume a vaga deixada pelo ex-presidente, Romacart Azeredo de Souza (PMDB), que havia sido eleito com 1440 votos nas eleições de 2 de outubro. A sessão realizada em Saquarema empossou também no lugar de Romacart, Marcos Vinicius Batista, que havia conseguido a suplência nas eleições de 2012.
A sessão de quarta-feira empossou ainda José Carlos Cabral (PP), que assumiu no lugar de Vanildo Siqueira da Silva, o Kilinho (PP), que era vice-presidente da casa e também foi preso por agentes da delegacia de Polícia Federal de Niterói no dia 18 de outubro passado na Operação ‘Sufrágio Sertanejo’. Romacart e Kilinho são acusados de compra de votos e estão no presídio Ary Franco, em Água Santa, na Zona Norte do Rio.
Outros dois vereadores de Saquarema, Guilherme Ferreira de Oliveira, o Pitiquinho, que foi reeleito (PSB), e Paulo Renato Teixeira Ribeiro (PMDB), também foram presos, mas dias depois, acabaram liberados e estão respondendo ao inquérito em liberdade. As investigações da Polícia Federal que resultaram nas prisões indicam que políticos da Câmara ocupavam cargos públicos na base do chamado “coronelismo”, muitas vezes captando votos em troca de benefícios irregulares. Além de provas documentais, a Polícia Federal também conseguiu áudios de conversas, através de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. Segundo a PF, os investigados realizavam boca de urna e compravam votos, tendo como contrapartida a distribuição de diversos bens, entre eles medicamentos e combustível, fornecimento de atestados médicos e receitas médicas controladas em branco, assim como benefícios em um hospital de grande porte. Foram cumpridos no dia 18 de outubro, 5 mandados de prisão e 7 de condução coercitiva (quando o suspeito é conduzido pela polícia para depor), que foram expedidos pela Justiça.