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Poeta saquaremense lança livro sobre a dor de lidar com a morte da mãe

O livro 'Desintegração Positiva' será lançado neste sábado (26)

relogio min de leitura | Daniel Magalhães 25 de junho de 2021 - 14:56
Este é o terceiro livro do autor, que tem apenas 22 anos
Este é o terceiro livro do autor, que tem apenas 22 anos -

O poeta saquaremense Kalew Nicholas, de 22 anos, lança neste sábado (26) o seu terceiro livro. Intitulado "Desintegração Positiva", o livro aborda em mais de 80 poemas a dor do autor em perder a mãe e, pior ainda, perceber que as memórias que tinha dela estavam aos poucos sendo esquecidas, além de notar que já estava se conformando com tal esquecimento. O exemplar é, então, uma tentativa do escritor de resgatar a história da própria mãe para que as memórias não permaneçam no poço do esquecimento.

"Talvez tenha sido eu me colocando no lugar da minha mãe. Um dos maiores medos humanos é o de ser esquecido. Então esse questionamento surgiu para mim em diversos momentos: será que superar uma morte não é uma injustiça com quem morreu?", indagou o jovem autor.

A data específica, 26 de junho de 2021, não foi escolhida ao mero acaso ou por questões puramente comerciais. Na data simbólica, que será no próximo sábado, a quantidade dias que o autor viveu sem sua mãe serão equivalentes aos que viveu com ela. Onze anos em que o poeta passou a viver sem a presença de sua mãe, seus afagos e 'seu mingau que precedia toda noite', como escrito por ele em um de seus poemas.

O nome do livro vem da Teoria da Desintegração Positiva, do psicólogo polonês Kazimierz Dabrowski, que diz que as crises existenciais pelas quais nós eventualmente passamos são importantes para a formação da nossa personalidade.

Para o autor, embora ainda ache que não tenha maturidade para abordar o assunto, achou que fosse o momento certo. "Eu não acho que eu esteja no momento certo, não acho que tenha o preparo suficiente pra escrever sobre esse tema. Mas talvez por isso mesmo eu tenha escrito. Lembro que, na virada de 2018 pra 2019, eu estava prestes a lançar “Entre caracteres”. E aí escrevi um primeiro poema direcionado à minha mãe, em que eu comunicava a ela que o supermercado estava muito caro. Esse poema nem entrou no livro, mas serviu como pontapé inicial porque aí eu decidi: eu ainda vou publicar um livro sobre a minha mãe.", contou.

Para o registro dos escritos no papel foi necessária uma escavação nas memórias do autor, além de familiares e amigos de sua falecida mãe, que contribuíram com álbuns de fotografias e relatos sobre a mãe de Kalew que, apesar de distante na memória, ainda toca o coração de quem se lembra dela através dos fragmentos que a eternizam.  

Apesar da pouca idade, o autor não é iniciante, tendo já dois livros de poemas publicados. Em 2019, lançou seu primeiro livro intitulado "Entre caracteres e áudios abafados" e "Walter Igor" em 2020. Seus dois primeiros livros abordam temas comuns ao fim da adolescência e introdução aos problemas e responsabilidades da vida adulta, além, claro, de desilusões amorosas. Em seu terceiro trabalho, no entanto, Kalew lança um trabalho mais denso e uniforme que se conecta de maneira mais profunda ao leitor, fazendo com que até mesmo quem não perdeu a mãe ou outro familiar desperte em si a urgência de aproveitar as oportunidades e pegar uma câmera para registrar todos os momentos possíveis antes que seja tarde demais.

Experimental e multifacetado, o jovem escritor também lança alguns poemas em forma de música, como uma tentativa de tornar o gênero literário que tanto ama em algo mais atrativo para quem costuma achar chato. O projeto musical transita entre diferentes estilos, como samba, funk, house e outros. Todas as músicas estarão disponíveis em um canal no Youtube do autor. Futuramente, também serão disponibilizadas nas plataformas de streaming.

Assim como as músicas, o livro conta com a participação de muitos amigos e profissionais que deram uma 'mãozinha' para que o poeta contasse sua história e de sua mãe. Para o autor, todas as contribuições de amigos são também parte da mensagem. 

"Eu passei a maior parte da minha infância sozinho, por mais fácil que fosse fazer amigos. Eu precisei largar a solidão, que em alguns casos era uma espécie de egoísmo, e abraçar a companhia de outras pessoas. Minha mãe tinha muitos amigos e amigas, ela é lembrada até hoje, várias pessoas me mandam mensagens dizendo que conviveram com ela. Então acho que eu estou fazendo o caminho inverso: se é algo tão pessoal, eu preciso abraçar outras pessoas. Acho que minha mãe ia gostar disso.", concluiu.

"Desintegração Positiva" foi produzido pelo próprio Kalew, mas também conta com participações de Gustavo Neves, que assina a arte da capa, Jacqueline Sousa, Giu de Lorenzi, Talita Mesquita e Yasmin Wachholz, que contribuíram com ilustrações, fotografias e colagens no interior do exemplar. 

O livro pode ser ainda adquirido na pré-venda através do site https://desintegracaopositiva.com.br

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