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Um brinde ao professor

relogio min de leitura | Redação 17 de outubro de 2015 - 20:25

Na quinta-feira passada foi o Dia do Professor. As datas comemorativas são instituídas para relembrar eventos históricos, conquistas importantes, feitos religiosos ou para brindar uma profissão. O Dia do Professor é uma delas. E na atual conjuntura, mais do que nunca, esta data deveria ser comemorada, não somente para festejos, mas para reflexão. O que é um professor? Que seria da sociedade sem esta profissão? Como formar médicos, dentistas, administradores, advogados, etc, etc, etc..., sem um direcionamento para tal?

Sempre que penso na dificuldade por que passam, hoje, os professores, lembro-me de parte de um texto de Paulo Freire, um dos maiores educadores brasileiros, quando expõe seu pensamento sobre Verdades da profissão de Professor. Diz ele que Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isto nos mostra o reconhecimento de que o trabalho de educar é duro, difícil, necessário, mas que permitimos que estes profissionais sejam desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.

Esta data, então, deveria - e deve - servir para que pais, alunos e sociedade repensem sobre estas atitudes de desconsideração pelo professor, pois elas refletem o compromisso que cada um tem com a educação que deseja para seus filhos. Falando sobre o assunto com uma amiga professora, ela fez um comentário interessante. Contou que seu avô, quando apresentava a irmã e ela a alguém, sempre falava assim: - Estas são minhas netas. Esta aqui é muito estudiosa, fez medicina e hoje é excelente pediatra. Esta é professora. Era claro o tom de orgulho e o de indiferença. E por mais que tente, não compreendo este estado de coisas. Causa-me espécie, inclusive, o fato de não haver uma só voz do governo que defenda a profissão. Nem mesmo aqueles que, exatamente por serem professores, galgaram seu posto na política. Alçado ao cargo, a memória falha, esquece sua origem e não apresenta nenhuma vontade de mudar esta desértica paisagem da educação do nosso país; não faz nenhum esforço de reverter este quadro lastimável que se pintou para a profissão.

Há, naquele que escolhe ser professor, uma grande paixão por aquilo que faz. Sabe que dele depende o crescimento dos que lhes são entregues para educar. E, apesar de tudo, vive atiçado de uma coragem e de um desprendimento dignos de serem apreciados, retirando, do sorriso e do aprendizado de seus alunos o seu sustento. Carlos Drummond de Andrade fala poeticamente sobre o professor, aquele que inspira e é inspirado, não só pelo desejo do saber, mas pelo incentivo aos valores que tornam o homem mais humano. Diz ele: O professor disserta sobre um ponto difícil do programa./ O aluno dorme./ Cansado das canseiras desta vida. / O professor vai sacudi-lo?/ Vai repreendê-lo? / Não. / O professor baixa a voz, / Com medo de acordá-lo. Erasmo de Roterdâ, famoso escritor holandês, falou que a primeira fase do saber é amar os nossos professores.

Quanto a mim, só tenho a dizer: Parabéns, professor! Continuemos nossa luta pelo crescimento das nossas crianças e dos nossos jovens para manter acesa, em cada um de nós, a chama da esperança de termos, um dia, um país ao qual se possa classificar de competente, educado, ético. Continuemos nossa luta com garra e perseverança nessa missão quase impossível. Um brinde!

A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.

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