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Aprendamos como as pedras...

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 03 de outubro de 2015 - 19:30

Há cerca de dez anos, andando sobre as pedras da cidade de Assis, na Itália, em direção à igreja, sob um céu dos mais azuis que já havia visto em minha vida, as palavras de São Francisco ecoavam na minha memória e se faziam vivas em meus ouvidos: “Aprendamos com as pedras”; “Concedei-nos Senhor a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar; coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguirmos uma das outras”; “O céu é que comanda a Terra”. Fui desfiando o terço desta sabedoria naquele templo sagrado, lugar onde nasceu Francisco, em 1182. Um rapaz rico e vaidoso que, depois de uma juventude irrequieta e mundana, dedicou-se a uma vida religiosa de completa pobreza, fundando a ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos.

Minha memória retorna àquela cidade porque hoje, 04 de outubro, é o dia de São Francisco de Assis. Cheias de altos e baixos e ondeando, como um tapete de pedras, as colinas da Úmbria, as estreitas ruas de Assis parecem conduzir, todas, ao seu centro espiritual: à Basílica dedicada ao santo, simples na sua construção, mas imponente na sua aura. Andar por esta pequena cidade medieval é mágico e emocionante. Em Cristo, Francisco encontrou a força que lhe aqueceu o coração e Sua presença estava marcada em seu projeto de vida: era Ele a estrada que conduzia o beato à mais profunda união com Deus, a ponto de assemelhar-se ao Seu filho, o Cristo crucificado, pelo milagre das cinco chagas. Em verdade, na alma de São Francisco, as chagas do Senhor já estavam marcadas, antes mesmo de recebê-las em seu corpo.

Seguiu, com perfeita exultação, os passos do Cristo pobre, casto e obediente. Sua posição como um dos grandes santos da cristandade se firmou ainda enquanto vivo e permanece, até hoje, inabalada. Foi canonizado em 1228, pouco menos de dois anos após falecer. Seu apreço à natureza, obra de Deus como sempre dizia, o fez conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente. Isto está bem claro no seu Cântico dos Cânticos, quando louva ao Senhor pelo “irmão Sol que clareia o dia e com sua luz nos ilumina”; “pela irmã Lua e pelas estrelas”; “pelo irmão vento, pelo ar e pelas nuvens”; “pela irmã água, útil e humilde, preciosa e casta”; “pelo irmão fogo com o qual iluminas a noite”; “pela nossa irmã terra que nos sustenta e governa”, respeitando toda a criação e tratando os elementos da natureza como criaturas divinas. Foi o mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos. Dante Alighieri, considerado o maior poeta da Itália, definiu-o como “uma luz que brilhou sobre o mundo”.

São Francisco propôs, em sua oração, dentre outras atitudes dirigidas ao humano, que “Onde houver ódio que eu leve o amor”, “onde houver discórdia que eu leve união” e “onde houver dúvida que eu leve a fé”. Isto nos mostra que estamos muito bem representados pelo nosso papa Francisco que, além de escolher, para o seu nome papal o nome do santo que revolucionou a igreja para o bem, para a caridade e para a paz, está seguindo brilhantemente seus passos, inclusive no seu trabalho em favor da humanidade. O título de sua Encíclica recém publicada, “Louvado seja - sobre o cuidado da casa de todos nós” e suas atitudes bem o comprovam.

Na chamada Encíclica verde, o papa Francisco aponta para a necessidade de uma conversão ecológica, já que a Terra está ferida. Insiste que poluir, contribuir para o aquecimento global, para o desflorestamento é, no fundo, um pecado. Assim, dois Franciscos, cada um no seu tempo, lutando contra os ventos e as tempestades do poder, na tentativa de proteger a criação divina: a Terra, os homens, os animais, a natureza.

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