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Intolerância religiosa

relogio min de leitura | Redação 05 de julho de 2015 - 16:14

A expressão “intolerância religiosa” se caracteriza pelo não reconhecimento às crenças religiosas do outro. A história nos conta inúmeras situações de que a intolerância religiosa foi palco. Desde a Antiguidade, se tem notícia da perseguição aos cristãos, não somente pelos judeus como também pelo Império Romano, que controlava grande parte das terras onde o cristianismo primitivo se distribuía. Nos últimos séculos, os cristãos foram perseguidos por outros grupos religiosos, incluindo muçulmanos, hindus e estados ateus antirreligiosos comunistas.

Os judeus, por sua vez, tornaram-se alvo preferencial de perseguição religiosa na Idade Média. Mas foi no século XX que a verdadeira “caça” a eles atingiu níveis nunca vistos antes na História, quando os nazistas perseguiram milhões de judeus e de outras etnias indesejadas pelo regime. Este ato insano, conhecido como Holocausto, vitimou milhares deles, não apenas devido à raça, mas em retaliação contra os seus ideais religiosos. Muitas outras perseguições aconteceram, como as realizadas na Idade Média - a Inquisição e a caça às bruxas - quando ninguém poderia professar nenhuma religião diferente daquela imposta pela igreja católica. Tudo em nome do poder.

E o que é que incentiva e propicia esta ação radical das pessoas, dos governos, dos líderes dos povos que não admitem que se pense diferentemente de suas convicções? Penso que é a educação para o fanatismo. Uma educação que vai minando, desde o princípio da vida, o espírito das crianças para o radicalismo, para a desconsideração da existência de outra forma de pensar que não a própria, para a intransigência. Uma educação para o absolutismo, para a cegueira, para a crença de que só há uma única verdade existente: aquela que se aprendeu desde cedo a olhar, com o uso de viseiras, somente o caminho traçado pelo pretenso “mestre”, sem perceber, que no entorno, há uma imensidão de outros caminhos tão válidos quanto o único que lhes foi ensinado.

Diz-se que o homem evoluiu através dos tempos, face à gama de conhecimentos que foi adquirindo. Mas pelo visto, a premissa não é verdadeira no que diz respeito à sua humanidade. Para citar apenas acontecimentos mais próximos, um menino de 21 anos entra numa Igreja nos Estados Unidos e, depois de rezar com os fiéis por quase uma hora, levanta-se, mata várias pessoas e fere outras. Uma menina, na zona norte do Rio, é apedrejada na rua porque está vestida de branco, professando sua crença. O nome disto é intolerância, sentimento que nasce da mesquinhez humana, do medo de pensar, de interrogar, de refletir sobre o estabelecido. Sentimento que nasce da aceitação rancorosa de regras e dogmas contra os quais não se tem coragem de lutar, contra os quais não se tem coragem de levantar a voz ou a dúvida. É falta da Educação que sedimenta valores e que faz pensar. Existem leis impedindo esta discriminação. Mas não são leis que vão resolver o problema.É, sim, a aprendizagem humana da aceitação de que existe um “outro” que tem o direito de professar a religião que quiser. Vivemos num mundo em que a diversidade religiosa prolifera e o crescimento desta diversidade, aliado à educação para o fanatismo, abre espaço para a intolerância religiosa.

O que falta para se perceber o absurdo disto? Falta a educação para a aceitação do outro e para o exercício de um dos valores humanos que faz aflorar a boa convivência: o respeito às diferenças.

A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.

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