Louvado sejas
Amanhã, dia 29 de junho, a Igreja celebra a festa de São Pedro, o apóstolo que Jesus escolheu para ser o chefe da Igreja, conforme comprovam passagens do Evangelho de São Mateus: Jesus pergunta a Simão quem ele é e Simão responde: -Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. E Jesus diz a Simão: - E eu te declaro, tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. E eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Ao mencionar a imagem das chaves, Cristo dá a Simão o nome de Pedro - outorgando-lhe a chefia da Igreja que se erguerá sobre a pedra. Pelo fato do dia 29 ser festa de São Pedro, também o é do Papa, seu sucessor, haja vista ter sido ele, Pedro, considerado o primeiro papa. O poder do Papa na Igreja é pôr-se a serviço da Palavra de Deus e fazer com que ela faça morada no coração de todos. É o papa que ilumina os passos da humanidade e sinaliza o caminho pelo qual ela seguirá, em nome de Cristo.
Em março de 2013, foi eleito o cardeal Jorge Mário Bergoglio como novo papa, substituindo Bento XVI. Um homem tímido, de estilo de vida sem ostentação, pregando, através de suas atitudes, uma Igreja mais simples, próxima, peregrina e despojada. A verdade que o papa Francisco buscou, desde o início de seu pontificado, é a do bem comum, criticando, duramente, a prática de se reivindicar somente os próprios direitos, sem a preocupação com o bem do outro. Surpreendendo por sua forma simples de celebrar, foi deixando para trás o luxo. No primeiro momento de seu pontificado, chegou à varanda de branco, cruz de prata ao peito, acendendo grandes esperanças e expectativas de mudança na Igreja. A questão a pensar era: como iria agir o papa diante das resistências às suas decisões? Mas isto já está respondido: com coragem e determinação, o papa vem enfrentando assuntos internos e externos do Vaticano, com respostas e atitudes relativas às diferenças que cada tema demanda. Dirigiu-se à Cúria Romana com seriedade, exigindo dela uma postura correta e dinâmica.
Nesta quinta-feira passada, o papa exerceu outro ato de firmeza: a publicação da encíclica, “Louvado sejas”, na qual expõe sobre a necessidade do cuidado com a criação divina: a casa em que habitamos - a Terra - e a casa que nos habita - o espírito. Pela primeira vez, um papa fala, numa encíclica sobre ecologia. E o papa o faz com dados seguros das ciências da vida e da Terra. Diz Francisco: “Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos construindo um futuro para o planeta. Precisamos de um debate que nos una, porque o desafio ambiental que vivemos e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós”. Faz uma leitura afetiva dos dados científicos, pois percebe que, por trás deles, se escondem dramas humanos e sofrimento, também, por parte da Terra. Comenta que “É previsível que o controle da água por parte de grandes empresas mundiais se converta em uma das principais fontes de conflitos deste século”. Frente às questões do desalinho humano em relação à Terra e a si mesmo, o papa pede “mudança de estilo de vida” e acusa as grandes indústrias de fazer “uso irresponsável dos bens que Deus colocou na Terra”. Costura, na sua “ecologia integral”, o enfoque ecológico ao social, dizendo: “Hoje não podemos desconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social que deve integrar a justiça nas discussões sobre o ambiente para escutar tanto o grito da Terra quanto o grito dos pobres”. Segundo Boff, a estrutura da encíclica, segue o ritual das nossas igrejas pela reflexão teológica, ligada à prática de libertação: ver, julgar, agir e celebrar.
Revela Francisco sua fonte de inspiração: São Francisco de Assis. Segundo o papa, o santo foi “exemplo por excelência de cuidado e de uma ecologia integral e que mostrou uma atenção especial aos pobres e abandonados”. Louvado seja o papa Francisco. Que a sua encíclica surta um resultado positivo neste mundo já tão conturbado pela falta de moral e decoro!
A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutorada em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.