São Jorge: devoção e fé
Vivemos, nesta semana, a festa litúrgica de um dos santos mais populares do Brasil e padroeiro de muitos outros países espalhados pelo mundo. A maneira como São Jorge é representado - matando um dragão para defender uma donzela - foi uma forma alegórica que o povo imaginou para simbolizar as armas da fé com que ele enfrentou os poderosos que eram contra o cristianismo à época e a província da qual ele extirpou as heresias, com sua devoção a Deus. Foram os gregos que começaram a representá-lo assim. É um santo invocado e venerado desde o século IV como um verdadeiro Mártir. Existem muitas lendas a seu respeito, mas, a certeza que se tem é que ele foi um militar.
Conta-se que ele nasceu na região da Capadócia, uma das províncias da Turquia. Como seu pai morrera em combate, sua mãe mudou-se com o filho para a Palestina. Após conquistar honras militares, devido à sua coragem e destemor, ganha títulos de nobreza e é transferido para Roma, onde receberia cargos políticos de relevo. No ano 300, Jorge já era um ilustre soldado do Império de Diocleciano. No entanto, face á sua conversão ao cristianismo e por causa do seu batismo, foi acusado de cristão, o que, à época, era um sacrilégio. Levado diante do imperador, foi obrigado a queimar incenso aos ídolos pagãos. Ao recusar-se a fazê-lo, foi torturado e encarcerado.
Há muitas lendas a respeito das ações de São Jorge. Dizem que ele resistiu a venenos, derrotou um dragão, ressuscitou 300 mortos. A própria existência de São Jorge é uma das mais incertas do cristianismo. Pesquisadores da trajetória histórica do santo alegam que os documentos que comprovariam seu caminhar foram destruídos pela própria igreja, temerosa que a fama do mártir pudesse ofuscar até a de Jesus. Esta tentativa, no entanto, só fez fortalecer a devoção ao santo. Os cruzados ingleses foram dominados pela figura do santo guerreiro sobre um cavalo, demonstrando força e determinação.
No século XI, surge mais uma lenda sobre o santo guerreiro. Contam que ele salvara a filha de um rei de ser devorada por um dragão que vivia dentro de um lago na cidade de Selem, na Líbia. Ele teria conseguido domar a fera e a teria levado para o povo que o recebeu assustado. Dirigiu-se ao povo e lhe disse que mataria a fera se todos se convertessem ao cristianismo. Naquele dia todos foram batizados.
Esta história foi incluída 200 anos depois na Legenda áurea, uma coletânea de biografias de santos, que é referência do estudo da religião. Além do dragão, São Jorge teria socorrido os cavaleiros da Primeira Cruzada, em 1098, em uma batalha contra os muçulmanos em Antioquia - situada na atual Turquia. O rei Ricardo Coração de Leão, na Terceira Cruzada, nomeou o santo como padrinho de uma das expedições e mandou que se desenhasse uma cruz vermelha no uniforme dos militares: a cruz de São Jorge. Esta cruz está presente na bandeira da Inglaterra.
Daí, a fama do santo se espalhou para o resto da Europa, inclusive Portugal, onde São Jorge tornou-se patrono do país. A resistência de São Jorge ao paganismo fez com que passasse por muitos martírios. Terminou degolado no dia 23 de abril de 303. Isto se chama devoção e fé de São Jorge ao cristianismo, que se estendeu à devoção e fé dos seguidores de São Jorge como seu santo protetor. São Jorge: devoção e fé.
A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e mebro de diversas organizações nacionais e internacionais
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