Valorize a vida
Sêneca, um dos mais eminentes filósofos do Império Romano, mestre na arte da retórica, que viveu de 04 a.C a 65, preocupado que era com a educação das crianças e dos jovens dizia que “A virtude é difícil de se manifestar, precisa de alguém para orientá-la e dirigi-la. Mas os vícios são aprendidos sem mestre.” E é uma verdade. Os valores éticos e morais, responsáveis pela manutenção da ordem social, precisam de ser ensinados. É claro que o homem tem direito à liberdade de expressão e escolha, mas tudo tem limites. Assim não fosse, frente a qualquer adversidade, retornaríamos ao estado primitivo, negando os princípios éticos e morais, como fazem os criminosos, que sequer respeitam a vida: a sua própria e a das pessoas com quem lida.
Quando Sêneca diz que para ser virtuoso necessita-se de mestre e para viciar-se, não, está sinalizando para a responsabilidade que temos com as crianças, no sentido de oferecer a elas sustento interno para se manter dentro dos padrões da ética e da moral sabendo cuidar de si, valorizando sua vida e a dos que as cercam. Sem dúvida, os jovens estão cada vez mais vulneráveis aos males da sociedade em que vivemos: tabaco, álcool, drogas. Hoje, 31 de maio, comemora-se o Dia Mundial sem Tabaco, data criada pela organização Mundial da Saúde - a OMS - para alertar sobre o consumo da substância que causa dependência e é prejudicial, tanto para quem fuma como para quem convive com fumantes.
Estudos mostram que o cigarro é um dos produtos mais vendidos no mundo e que seus seguidores fiéis caminham em direção a uma série de doenças sérias e, no mais das vezes, incuráveis. Adverte o Ministério da Saúde sobre tais doenças: câncer de pulmão, de laringe, de boca, de faringe, enfisema pulmonar, infarto do miocárdio, bronquite crônica, sinusite, derrame cerebral e envelhecimento prematuro da pele. Há alguns anos, os governos de diversos países resolveram desenvolver uma campanha acirrada contra o fumo, o que tem ajudado a diminuir um pouco o seu consumo. Outra medida importante foi a criação de espaços restritos aos fumantes, dificultando sua prática.
Sem dúvida, o tabaco entra na vida das pessoas desde cedo. Quando a mãe fuma, os bebês, já nos primeiros meses de vida se tornam fumantes passivos. À medida que as crianças vão crescendo, ao verem os pais, tios, primos e pessoas próximas fumando, nasce nelas os primeiros desejos de experimentar o vício. O cigarro ganha lugar na vida destas crianças ou jovens e, abraçado o vício, o difícil é sair dele. E a vida, tão cara aos princípios éticos e morais de que falamos, passa a ser relegada a segundo plano: tanto a vida de quem fuma quanto a de quem vive junto ao fumante. Mas, como diz a sabedoria popular, “Depois da casa arrombada, cadeado à porta.”, ou seja, depois que o resultado do vício aparece em forma de doença, começa-se a correr atrás do prejuízo. Parece que a única recompensa do vício, seja ele qual for, é o arrependimento.
Revendo o pensamento de Sêneca - “A virtude é difícil de se manifestar, precisa de alguém para orientá-la e dirigi-la. Mas os vícios são aprendidos sem mestre.”, para cortar o mal pela raiz é preciso cuidar das crianças, orientando-as em direção às virtudes, lembrando sempre que os “pequenos” aprendem por imitação aos “grandes” que os orientam, logo, pelos exemplos que recebem.
Por tudo isso, é muito bem-vinda qualquer campanha contra qualquer vício, portanto, muito bem-vindo este Dia Mundial Sem Tabaco.
A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutorada em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.
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