Espalhando o vírus da leitura

Escrito por Redação 28/01/2017 18:45, atualizado em 28/01/2017 18:44
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O aperfeiçoamento da leitura na formação do professor e do indivíduo, de um modo geral, é inquestionável  para o aprimoramento da linguagem e para a criação de uma narrativa que dê significado à vida. Para se criar esta narrativa, é necessário se exigir, daquele que educa, que seja capaz de fazer uma leitura consistente, aquela que não só compreende a primeira informação da escritura, como a que ultrapassa os níveis superficiais de qualquer texto, além de ser um saber essencial para se compreender este mundo feito de letras.


Este tipo de abordagem deve começar a ser feito desde as primeiras  aprendizagens da leitura. Mas parece-me que este é um dos pontos fracos da nossa educação e, a bem da verdade, dos professores que educam. Dentre todos os professores, o número daqueles que leem pelo menos um livro por mês não passa de 40 por centro.


Sabemos que a produção do mundo pela linguagem é uma narrativa de poder, de solidez, de inspiração. É o que narramos e como o fazemos que vai mostrar  a forma de como tornamos o mundo conhecido de nós mesmos e de como nos tornamos conhecidos pelo mundo.


O homem conta sua história todos os dias, desde que acorda até a hora em que acorda outra vez. Somos contadores de história por excelência. Estamos sempre dizendo algo assim: - Sabe o que aconteceu? Que bem pode ser lido como “Era uma vez...”. E contamos com a linguagem que conhecemos, com o olhar que temos sobre as coisas. Com isto, podemos dizer que a linguagem que usamos está no centro de nosso modo de pensar o mundo. É preciso, então, tomar consciência de que a maneira de falar de cada um põe ideias na própria cabeça. Se esta consciência não acontecer, a pessoa não terá o domínio de seu estar e ser no mundo.


Afinal, quanto mais palavras se conhecem, mais se conhece o mundo. Assim, os rumores de um texto são vozes costuradas a outras vozes - verdadeiros textos de vida - razão pela qual a leitura, quando feita em profundidade, ultrapassa o mundo, atravessa a página do livro e enraíza-se naquele que lê, tornando-se experiência. 


Mas para compreender a beleza de uma poesia e as nuances da palavra literária é necessário ler nas entrelinhas da narrativa, coisa que o nosso professor precisa saber para realmente conseguir formar leitores que ultrapassem o primeiro significado de qualquer coisa que seja escrita, lida ou dita. Ele precisa aprender a ler o mundo e os textos com lentes de aumento para conseguir ter a capacidade de formar leitores e, com isto, melhorar o nível da educação das crianças e dos jovens. Se ler provê o espírito de subsídios para o conhecimento, só o pensar torna nosso, aquilo que lemos. Logo, é preciso saber pensar sobre o que se lê.


Por isso, quando se lê bem, a leitura funda o espírito de aventura, toma conta do leitor, mexe com suas emoções e se realiza como um convite à viagem. Os viajantes são sempre grandes sonhadores. Para se ensinar a ler é preciso gostar de ler e ler muito. A leitura é uma das melhores estratégias para aprimorar a habilidade de se comunicar, pois, ao ler, entra-se em contato com a norma culta da língua, exercita-se uma gramática correta e enriquece-se o vocabulário. Mesmo no mundo de hoje, informatizado e cheio de imagens, a leitura ocupa um lugar de realce, associada que é ao status intelectual. Por isso, entre os principais benefícios para quem adquire o hábito da leitura está a facilidade em obter sucesso profissional. 


Segundo um estudo feito pela Universidade de Oxford, quem lê de forma espontânea, além da obrigação escolar/profissional, tem mais chances de crescer profissionalmente, devido à ampliação de vocabulário e à compreensão de conceitos abstratos possibilitados pelas leituras cotidianas, além do vasto conhecimento que se adquire em diversas áreas. 


Imagine, então, professores verdadeiramente leitores, contagiando seus alunos com o vírus da leitura. Isto seria a realização de um sonho de educação: professores leitores, dando aulas em todos os níveis de ensino, desde o infantil até a universidade, construindo um país de homens livres, um país de homens, livros e ações conscientes e inovadoras.

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