A Arte de Mudar

Escrito por Redação 30/12/2016 19:05, atualizado em 30/12/2016 19:04
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“Um homem sussurrou: Deus fale comigo! E um rouxinol começou a cantar. Mas o homem não ouviu... Então, o homem repetiu: Deus fale comigo! E um trovão ecoou nos céus. Mas o homem foi incapaz de ouvir... O homem olhou em volta e disse: - Deus deixe-me vê-lo! E uma estrela brilhou no céu. Mas o homem não a notou... O homem começou a gritar: - Deus mostre-me um milagre! E uma criança nasceu. Mas o homem não sentiu o pulsar da vida...  Então, o homem começou a chorar e a se desesperar: - Deus  toque-me e deixe-me sentir que você está aqui comigo... E uma borboleta pousou suavemente em seu ombro. O homem espantou a borboleta com a mão e, desiludido, continuou o seu caminho triste, sozinho e com medo...” Li esta história em algum lugar e fiquei pensando no dia de hoje.


Hoje começa um novo ano e, talvez, a possibilidade de mudança. Muitas vezes, mudar dói. E o que dói e desorganiza um pouco nossas ações é que, para mudar é preciso romper com certos padrões impostos por cada um para si mesmo, desviando-se, assim, da zona de conforto a que se acostumou. O homem da história, que não conseguiu ler, em nenhum dos sinais dados a presença de Deus, com certeza deve ter tido a mesma dificuldade de ler outros tantos sinais e oportunidades que surgiram na sua vida, sem que ele percebesse. 


Érico Veríssimo, certa vez, escreveu: Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento. Penso que foi isto que aconteceu com o homem da história. Levantou barreiras aos sinais, sem permitir que o sopro do texto da vida lhe abrisse os olhos e os ouvidos.  Muitas vezes, nos 365 dias do ano, mantemos os olhos e corações fechados para o milagre da vida que está diante de nós. Nem sempre percebemos o privilégio que estamos tendo de encher o pulmão de ar e respirar; de colocar os pés nus na areia da praia, na terra molhada, sobre as folhas que caem no outono; de admirar a multiplicidade de cores que a aquarela de cada dia pinta diante de nossos olhos distraídos; de ouvir as belas músicas que a natureza compõe e nos oferta; de sentir a fragrância do vento na pele, deixando marcado nela um alegre cheiro de vida.


Assim, vamos levando cada dia como se não fosse o único. Então, o último dia do ano chega e começamos a pedir que alguma coisa mude. Mas o tempo é a dimensão da mudança. Nós somos a dimensão do tempo na mudança, já que toda modificação interior, seja ela qual for, depende somente do nosso próprio esforço. Pensando bem, em relação às dificuldades que a vida muitas vezes impõe, não é o mais forte que sobrevive e sim aquele que, inteligentemente, se amolda melhor às mudanças. 


O velho Heráclito, há muitos e muitos anos antes de Cristo, já dizia que nada é permanente, exceto a mudança. Stephen Hawking, um dos mais consagrados cientistas da atualidade, disse que inteligência é a capacidade de se adaptar à mudança. Charles Chaplin falou que cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre. O arauto da paz, Mahatma Gandhi escreveu: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Todos, no fundo, dizem que a mudança é a lei da vida.  


No entanto, para mudar é necessário trocar as vestimentas das mesmices que incomodam, vendo e ouvindo mais a vida que saltita em torno. Acredito que assim, cada um será capaz de mudar para melhor, revestindo-se de uma nova pele e buscando a própria estrela lá nos píncaros do céu. Isto significa a busca do amor por si mesmo, lugar onde habita, dentre outros sentimentos, a autoconfiança e a autoestima. É preciso, no entanto, não se perder das coisas que encantam, como fez o homem da história, pois é neste lugar de encantamento que se encontra o tanto da essência de cada um, a arte de mudar. Um  Feliz Ano Novo!

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