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"Por onde for, quero ser seu par"

relogio min de leitura | Redação 12 de junho de 2016 - 11:00
Hoje é Dia dos Namorados, é dia de se comemorar uma das ramificações do amor. Mais do que a consagração do namoro, do noivado ou do casamento, o amor é o alicerce da existência humana. Ele funda a vida e repousa sobre ela. Essa é, sem dúvida, a profunda interdependência de que todos nós necessitamos para nos completar. Para falar a verdade, é muito bom ter “um outro” ao nosso lado para partilhar com ele as nossas alegrias e as nossas tristezas. O êmulo que impulsiona esta união é o amor e, segundo Luiz de Camões, o amor é “um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porquê”.
Desde os primórdios, o homem busca um meio de explicar este sentimento terno e, ao mesmo tempo, tão avassalador. Na antiguidade, os gregos já procuravam, através de seus mitos, esclarecer as coisas que não entendiam, dentre elas, o amor. O mito de Eros e Psiquê é um dos mais belos, criado para elucidar o poder deste sentimento que une, incondicionalmente, as pessoas. Psiquê, que significa alma em grego, é uma linda princesa amada por Eros, o deus do amor. Os dois seres – alma e amor – unem-se num só, tornam-se etéreos e vão fazer morada no Olimpo, ou seja, no olimpo do nosso coração. 
Este mito, poetizado por Fernando Pessoa, começa a ser narrado assim: “Conta a lenda que dormia / uma princesa encantada / a quem só despertaria / um infante que viria / de além do muro da estrada”. O Infante segue seu caminho à procura da princesa adormecida e, ao final da jornada, “Inda tonto do que houvera / À cabeça em maresia / Ergue a mão e encontra hera / e vê que ele mesmo era / a princesa que dormia”. Assim, o amor e a amada, depois de incontáveis encontros e desencontros, quando se acham, tornam-se, de dois, um. Se você quer falar ou escrever alguma coisa que venha do fundo da alma, procure um poeta. Ele trabalha as raízes da linguagem e consegue transformar as palavras em troncos, ramos, flores, frutos e tudo mais. 
Camões, para falar deste sentimento, nos brinda com a beleza destes versos: “Amor é fogo que arde sem se ver / É ferida que dói, e não se sente / É um contentamento descontente / é dor que desatina, sem doer/ É um não querer mais que bem querer; / É solitário andar por entre a gente / É nunca contentar-se de contente, / É cuidar que se ganha em se perder.”
As inúmeras oposições que o poeta usa para falar do amor demonstra a perfeita complexidade deste sentimento. Vinícius caminha pela mesma trilha no seu Soneto de Fidelidade: “De tudo ao meu amor serei atento /Antes e com tal zelo, e sempre e tanto/ Que mesmo em face do maior encanto / Dele se encante mais meu pensamento. E termina o poema dizendo: E assim, quando mais tarde me procure / Quem sabe a morte, angústia de quem vive / Quem sabe a solidão, fim de quem ama / Eu possa me dizer do amor (que tive): / Que não seja imortal posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure. Amor é isto. Precisa ser intenso e calmo, frenético e ponderado, louco e lúcido, enfim, infinito enquanto vivo no peito dos amantes. 
Para dizer o que sentem, os poetas estão sempre criando e recriando a linguagem de forma inesperada e nós, enquanto amantes do amor, também precisamos ser previsíveis e inesperados nas palavras e nas atitudes para que possamos contemplar a infinitude de um breve momento que é a vida. Como diz o poeta Mário Quintana, “As pessoas não se necessitam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias de vida.” Carlos Drummond de Andrade arremata este pensamento dizendo que “Há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la e, nas Andanças pela vida, Paulinho Tapajós conclui que “só o amor me ensina onde eu vou chegar” e “por onde for, quero ser seu par.” 
E, por onde eu for, quero ter meu par.

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