Mãe é Mãe
Hoje é um dia muito especial. Uma das datas mais festejadas do ano: Dia das Mães. É dia de comemorar a vida de quem dá a vida por nossas vidas. Elas, seguramente, são donas de um ‘radar interno’ que capta, não se sabe como, a muitos quilômetros de distância, a direção e a velocidade do andar de suas crias. Elas são a referência e o porto seguro dos filhos. O povo, sábio e criativo como é, inventou uma máxima divertida e bem verdadeira, principalmente pelo tom com que se fala quando se usa e que expressa, sem rodeios, um amor incontestável que é: “Mãe é Mãe.”
Lá nos primórdios, quando o homem percebeu que havia no mundo algo maior do que ele próprio e que ele não conseguia entender, nasceu, em seu espírito, o conceito de divindade. E a primeira manifestação religiosa foi dirigida à Mãe, aquela que tem a capacidade de fazer brotar a vida. O culto ao feminino é um dos mais antigos de que se tem notícia. Assim, a primeira divindade adorada pelos nossos ancestrais, foi a Terra que, por sua fecundidade devastadora e infindável, teria surgido gerando-se a si própria. A partir de seu nascimento, a vida começa a germinar. Das suas profundezas jorram água e de sua superfície, surgem árvores, frutos, animais e homens. Acreditavam os antigos que, se a vida brotava do ventre da Terra, a morte seria uma volta à ela, para que um novo nascimento ocorresse. Assim acontecia com a semente, assim também com o homem porque, para a humanidade do princípio dos tempos, todos, como filhos da Terra, compartilhavam do mesmo destino. A primeira divindade, então, é a Grande Mãe Terra, que gera a Mãe, que proverá de habitantes o seu corpo e a sua alma. Este sentido de divindade dado ao feminino está impresso no espírito da maioria das civilizações pagãs, onde as deusas são as criadoras do Universo: geram a vida, a cultura, a agricultura, a linguagem e a escrita, resultando, daí, uma complexa estrutura teológica. Isto se estende à Mãe da esfera terrena que, como a deusa, também faz nascer a vida. Com o instinto primitivo herdado da deidade, a mãe cultiva, pelo ser que abraça em seu ventre, um amor incondicional. Quem de nós não conhece algum fato que comprove um amor de Mãe que tenha ultrapassado a compreensão e que tenha ido para além das relações terrenas? Quando uma criança se forma no ventre materno, parece nascer na Mãe uma antena em outro plano, que a mantém em contato direto, pela vida a fora, com o ser que gerou. É certo que a magia da criação, independentemente de ser divina ou científica, é de um sentimento ímpar, inigualável. Ser mãe, se não for exatamente ‘padecer no paraíso’, está numa esfera de um amor absoluto, que mantém suas asas sempre prontas para receber sua cria, afagá-la e protegê-la a qualquer momento e a qualquer preço. Mãe é cumplicidade, é formação, é descoberta. É carinho, casulo e caminho. É nela que habita a gratidão e o valor da vida; é nela que se cultiva a paz de espírito e o retorno às raízes mais profundas e aconchegantes de nossa alma. Mãe é calor miudinho, é puro amor, é verdadeiro ninho. Sua aparência é normal, mas há extensões invisíveis no seu corpo: oito mãos, doze braços, mil olhos e uma força descomunal e incompreensível. A natureza presenteou a mulher com a divindade da criação que é a maior dádiva que o ser humano poderia receber. A data merece ser enaltecida, mas mãe não tem data. Não tem momento, não tem hora, não tem dia, nem mês, nem ano. Sorriso de mãe não tem tamanho. Desejo de mãe é magia plena. Amor de mãe é infinito. Mãe é um grito de ajuda, que seja aquele do outro lado da casa, ouvido múltipla e diariamente, às vezes por nada. Só para saber que ela está por perto para nos confortar, para despertar sorrisos fartos, para dar um colo sem pedidos, um cafuné involuntário. Mãe é o elo da nossa existência com o mundo. É, literalmente, o cordão umbilical da nossa interação com a vida. É a ligação com nossas raízes familiares. Célula-mater da árvore da vida. Afinal, Mãe é Mãe!