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Me dá um abraço?!...

relogio min de leitura | Redação 23 de maio de 2015 - 23:26

Nesta sexta-feira passada, fui surpreendida pela atitude de uma amiga com quem encontrei. Quando me viu, ela abriu os braços e disse: - Me dá um abraço? Aproximou-se de mim e me deu um dos abraços mais calorosos que já recebi. Ela percebeu o meu ar de surpresa e falou: - Hoje é dia do abraço. A famosa psicoterapeuta norte-americana Virgínia Safir disse: Precisamos de quatro abraços por dia para sobreviver, de oito abraços por dia para nos manter, de doze abraços por dia para crescer”. Então, vamos abraçar!Abraçamos-nos, despedimo-nos e saí dali pensando no acontecido e concordando com a psicoterapeuta americana.

Fui, então, procurar saber de onde surgiu esta ideia tão valiosa para a autoestima e fiquei sabendo que tudo começou com a iniciativa do australiano Juan Mann, em 2004, com a “Campanha dos Abraços Grátis”. Numa rua de Sydney, ele oferecia abraços para quem estivesse passando, incentivando-os a agir da mesma forma. Quando Juan ofereceu seu abraço para Shimon Moore, vocalista da banda Sick Puppies, a ação se tornou muito popular. Logo depois, Moore começou a gravar Juan pelas ruas de Sydney e quando a avó de Juan Mann faleceu, Moore usou as cenas filmadas para montar um clipe da música “All the same“ - Tudo igual. O resto da banda, então, sugeriu que se postasse no YouTube. Em apenas dois dias, o vídeo atingiu 250 mil visualizações. O mundo, então, conheceu a campanha e países como o Brasil, Portugal e Espanha fizeram a sua versão do “Free Hugs” - Abraço Gratuito. Por isso, hoje conhecemos o dia 22 de maio como o Dia do Abraço.

Que iniciativa maravilhosa a do australiano! Nada é tão envolvente como um abraço! Investigadores da Universidade da Carolina do Norte descobriram que mesmo um breve abraço pode ajudar a reduzir os níveis de cortisol que contribuem para o stress e influencia, também, na redução da pressão arterial. Que lugar melhor para uma criança do que dentro dos braços de sua mãe? Que sensação mais agradável para um adolescente com medo, do que o afago de um abraço? O que há de mais agradável para um doente, para um idoso, para alguém solitário que um abraço? Com certeza o abraço é um dos gestos mais significativos que se inventou. Ele conforta, protege, proporciona sensação de deleite tanto àquele que envolve quanto o que é envolvido. Este ato ativa as regiões temporais e frontais do cérebro, que estão ligadas à sensação do prazer e também ajuda a combater a depressão.

O laço de um abraço transmite uma sensação de acolhimento, sentimento necessário para que se lustre a autoestima quando ela se encontra embaçada. A sensação imediata que se sente é de bem estar, dominando o corpo e a mente. Afinal, qual a primeira coisa que fazemos quando alguém está sofrendo? Acolhemos num abraço.

Vinícius de Moraes, em “Chega de saudade!”, escreve: “Dentro dos meus braços, os abraços / hão de ser milhões de abraços, apertado, assim, colado assim, calado assim / Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim / Que é pra acabar com esta saudade de você longe de mim. No poema, “Queria um abraço hoje” ele diz: De repente deu vontade de um abraço... Uma vontade de entrelaço, de proximidade.../ de amizade... sei lá... / Talvez um aconchego que enfatize a vida e amenize as dores... É isto mesmo. Um abraço enfatiza a vida e ameniza as dores. Vamos abraçar mais nossos amigos, nossos familiares e aqueles que precisam muito ser enlaçados em um caloroso abraço.

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