Quadrinhos e Animação: Popeye
Na semana passada, falei aqui sobre quadrinhos e animação, tendo, ao centro, o personagem principal da Disney, Mickey Mouse, e apontei para o fato de que os quadros, sequenciais ou não, são a mais antiga forma de se escrever uma história, haja vista as figuras traçadas nas paredes das cavernas, há mais de 15.000 anos e que deram origem à escrita. Era desenhando que os primitivos contavam a sua saga diária na luta pela sobrevivência: são as pinturas rupestres. Acompanhando esta linha de pensamento, o americano Richard Outcault criou, em 1895, a primeira história em quadrinhos de que se tem notícia e a publicou em jornais sensacionalistas de Nova York. O sucesso foi tamanho que esta forma de contar história foi disputada por jornais de renome.
As HQs - forma abreviada de histórias em quadrinhos - apresentadas por Richard Outcault, já continham personagens fixos, ações fragmentadas e diálogos montados em balõezinhos de texto, formato que se mantém até hoje. Na Inglaterra, as HQs surgiram na época do cinematógrafo, mas, diferentemente do cinema, que desde o seu início foi considerado a sétima arte, os quadrinhos foram avaliados como de má influência para as crianças e adolescentes, por conta das temáticas abordadas e pela ruptura com as narrativas convencionais. Durante muitos anos, este tipo de texto foi, no geral, tratado como subgênero. No entanto, com o tempo ganhou força, mostrando que clássicos da literatura poderiam, muito bem, ser contados sob a óptica da arte sequencial.
No dia de hoje, há 87 anos - 17 de janeiro de 1929 -, vem a público, pela primeira vez, nas tiras de quadrinhos do New York Journal, o Popeye, de Elzie Crisler Segar. O valente e carismático marinheiro não começou como personagem principal, mas recebeu os louros do público e acabou ganhando sua própria tirinha. Quatro anos depois, as tirinhas foram adaptadas para desenhos animados. As histórias revelam um trio amoroso, em que o marinheiro protege Olívia Palito, sua eterna namorada, do inimigo Brutus. Sempre que se encontra em desvantagem em relação ao oponente, Popeye lança mão de uma lata espinafre, vira-a em direção à boca e engole, de uma só vez, todo o conteúdo do recipiente. É o bastante para que ele adquira uma força descomunal como um verdadeiro super-herói e, confiante, passa a vencer todos os desafios que encontra pela frente.
O comer espinafre e ficar forte serviram de incentivo para que as crianças viessem a se alimentar do rico vegetal para ficar como Popeye. O escritor Monteiro Lobato usou o personagem em seu livro Memórias da Emília. Lobato apresenta um Popeye com jeito de mau caráter e bêbado. Isto porque, quando seu livro foi escrito – 1936 –, ele conhecia apenas os primeiros episódios, quando o marinheiro aparece tomando bebida alcoólica e arranjando brigas à toa. Popeye mudou, transformou-se em herói, passou a ser amado pelas crianças e graças ao sucesso, tornou-se o primeiro personagem de desenho animado a ter uma estátua em sua honra, assentada em Crystal City, Texas, em 1937.
Os desenhos animados do Popeye, na televisão, caíram no gosto da criançada. Em 2016, veremos, na tela, um longa metragem do marinheiro. O trailer, divulgado pela divisão de animação da Sony Pictures, em 2014, mostra um Popeye sem cachimbo e sem tatuagem. Isto vai agradar ou a falta do cachimbo e das tatuagens de âncora, uma em cada braço, vai decepcionar? Só vendo para saber. Até lá!
A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e mebro de diversas organizações nacionais e internacionais.
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