Quadrinhos e animação: Mickey Mouse
Os quadrinhos são a mais antiga forma de se escrever uma história. Fazer desenhos é algo instintivo no ser humano. Quando o homem começou a esboçar a escrita, o fez através de desenhos. Para contar o seu modo de vida, nossos ancestrais usaram as paredes das cavernas e nos fizeram conhecer os animais com os quais eles lutavam ou dos quais eles fugiam. Os primitivos desenhos, então, traçados ao longo das paredes das cavernas, representavam, de certa forma, uma maneira de contar sua história em quadros, uma cena após outra ou, simplesmente, cenas avulsas que, vistas no conjunto, estavam contando a história de suas vidas. Estes traçados foram se desenvolvendo até chegarem aos desenhos que conhecemos hoje.
Juntar estes dois assuntos, quadrinhos e animação, nos obriga a lembrar de um personagem extraordinário que, do alto de seus 87 anos, não passa de um jovem e elegante rato chamado Mickey. Se em novembro de 1928 ele fez sua primeira aparição nas telas do cinema, no dia de hoje, 10 de janeiro, no ano de 1932, era registrado e publicado, oficialmente, nos quadrinhos, o desenho do rato mais famoso do mundo. Este personagem de Walt Disney é o único do quadrinho e da animação a ter uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Mickey Mouse surgiu no cinema através do curta metragem “Steamboat Willie”, em que o pequeno roedor, está a bordo de um barco, sob o comando do malvado João Bafo-de-Onça. Hoje ele reina como personagem principal de um dos maiores impérios do entretenimento e da tecnologia mundial.
Um dos filmes mais poéticos que protagonizou, Fantasia, é a terceira animação dos estúdios Disney, lançado em 1940. O filme se compõe de oito segmentos acompanhados de belas músicas clássicas. Stokovski, famoso regente da orquestra, propôs a Walt Disney o uso de um sistema especial de som, o Fantasound, já que Walt desejava incorporar, na animação, as sensações de uma sala de concertos. O sistema fazia com que o som do filme saísse de diferentes pontos do espaço e não só da tela, como era o normal à época. Sendo ele um homem muito além de seu tempo, aceitou o desafio. Fantasia recebeu duas estatuetas no Oscar: uma para Walt Disney e equipe que desenvolveu o Fantasound, pela imensa contribuição para o avanço do uso de sons nos filmes; a outra foi para Leopold Storowski e seus associados, pela realização única da criação de uma nova maneira de visualizar a música, ampliando o alcance dos filmes de animação como obra de arte, apresentando ao público “músicas que se podem ver e imagens que se podem escutar”. Fantasia impressiona até hoje. Walt desejava que a animação fosse uma experiência sensorial. Queria-a com o formato Widescreen e que uma das sequências fosse em 3D; queria usar efeitos olfativos para a série das flores que dançam. Na época, essas coisas não podiam ser realizadas e, mais uma vez, Walt mostrou-se um visionário, pois anos depois todas essas técnicas foram utilizadas.
Em 1932, a Academia de Hollywood premiou Walt Disney com um Oscar honorífico pela criação do personagem Mickey Mouse. Seu nascimento foi fruto de um acaso. Seu primeiro personagem foi o coelho Oswald, que, para solucionar problemas legais foi transformado num rato. A Walt Disney tornou-se um verdadeiro império do entretenimento que tem por rei um pequeno roedor, amado por todo mundo - Mickey Mouse - mascote e símbolo da empresa. No lugar do coelho surgiu o rato da sorte.
A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.