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Sejamos misericordiosos

relogio min de leitura | Redação 02 de janeiro de 2016 - 17:24

Sede misericordiosos como o Pai é o lema do Ano da Misericórdia que teve sua abertura oficial no dia 08 de dezembro passado, na solenidade da Imaculada Conceição e terá sua conclusão em novembro do ano em curso. Durante a celebração da penitência, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco anunciou: “Pensei muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual; e devemos fazer este caminho. Por isso, decidi proclamar um Jubileu Extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano da Misericórdia”. Para além disto, o Papa convida os fiéis do mundo inteiro a celebrarem o sacramento da Reconciliação. A abertura do jubileu se deu no 50º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, impulsionando a Igreja a continuar a obra iniciada por aquele Concílio.

A palavra Jubileu tem origem no hebraico - ‘yobel’ - que faz alusão ao chifre do cordeiro que servia como instrumento e provém também do latim - ‘iubilum’ - que significa grito de alegria. A celebração do Jubileu católico, portanto, tem origem no Jubileu hebraico, onde a cada 50 anos, durante um ano, denominado ano sabático, escravos eram libertados, dívidas eram perdoadas, dentre outras coisas. Na tradição católica, o Jubileu tem também a duração de um ano, mas se veste de um sentido mais espiritual, prevendo o perdão dos pecados àqueles que cumprem certas disposições eclesiais, estabelecidas pelo Vaticano.

No momento em que o mundo vive conturbado pela violência, pelo radicalismo, pela incompreensão, pela desumanidade, nada melhor do que convocar o mistério da misericórdia. O texto “O Rosto da Misericórdia”, explica-nos que misericórdia é fonte de alegria, de serenidade, de paz. Misericórdia é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. É a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê, com olhos sinceros, o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia é o caminho que une Deus ao Homem porque faz despontar no coração a esperança de sermos amados, apesar da limitação do nosso pecado. Misericórdia, portanto, é o sentimento que abre as portas para a solidariedade, para o encontro de mãos amigas, para a compreensão de cada um de si mesmo e de cada outro.

A escolha do dia 08 de dezembro para abrir o Jubileu da Misericórdia se deu pelo fato de ser ela uma data plena de significado na história da Igreja, pois, retoma o pensamento que nutre a conclusão do Concílio Ecumênico II, dentre eles, a exigência de falar de Deus aos homens de uma maneira mais fácil e anunciar o Evangelho de uma maneira nova. Trazer, ao cristão, um novo compromisso de professar com mais entusiasmo e convicção a sua fé. Fazer da Igreja, o sinal vivo do amor do Pai.

O que a gente aprende do que diz as Escrituras é que a missão que Jesus recebeu do Pai foi a de revelar o mistério do amor divino na sua plenitude. Toda a sua atuação para com os pecadores, para com os pobres, para com os marginalizados, para com os doentes se fez sob a égide da misericórdia. N’Ele, tudo é paixão. Usemos este ano para exercitar a nossa misericórdia. Com o tempo, ela se tornará comum a cada um e se materializará numa corrente de bem, de luz, de paz. São estes sentimentos e atitudes que poderão transformar agressões em carinho, incompreensões em perdão, bombas em flores. As portas do ano novo se abriram sob o signo do amor. Sejamos misericordiosos.

A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.

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