Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,2837 | Euro R$ 6,212
Search

Eu só o ajudei a chorar

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 21 de novembro de 2015 - 19:04

Em verdade estamos todos consternados. O ataque terrorista que partiu as Torres Gêmeas nos Estados Unidos, o que foi perpetrado contra a redação do jornal Charlie Hebdo e um supermercado judaico em Paris e este agora, dentre outros, pegaram-nos de surpresa. Aliás, a arma do terrorismo é a surpresa da violência, constituída de ataques covardes, geralmente dirigidos a pessoas inocentes que trazem no olhar as cores da paz, da alegria, do humor, da liberdade, da generosidade. Como uma cobra venenosa, o terrorista rasteja entre os inocentes, marcando-lhe o dia de seu juízo final, tudo, supostamente em nome de Deus. Praticando assassinatos, sequestros, explosões de bombas, matanças indiscriminadas, raptos, linchamentos lá vão eles, estrategicamente, incutindo temor, pânico e insegurança à população por eles escolhida como alvo. Aliás, por serem altamente radicais e escorregadios, quase nunca se sabe seu verdadeiro alvo.

A parte a ser atacada, na maioria das vezes, o é por não pensarem como eles. Os terroristas são intransigentes, truculentos, desumanos. Cito, aqui, o menino de cerca de quatro anos, não sei bem, que vimos na mídia. O repórter chega perto dele e pergunta-lhe se ele entendia o que os homens haviam feito. O menino, com o olhar sério, responde: - Sim, porque eles são muito maus. Por isso vamos ter que mudar. O pai interfere e diz: - Nós não temos de mudar. A França é a nossa casa. Mas o menino insiste dizendo que os homens são maus e que eles têm armas e podem matá-los. Ao que o pai, responde: - Eles têm armas e nós temos flores. O menino insiste, dizendo que flores não fazem nada e o pai lhe mostra que há flores por todos os lados e que elas servem para lutar contra as armas, que elas servem para protegê-los. Isto me faz lembrar de outra história também sobre crianças. Aliás, as crianças são surpreendentes!

Uma vez, fez-se um concurso numa escola infantil cujo objetivo era ver qual era a criança mais carinhosa. Vieram muitas concorrentes. Uma delas diante do júri, disse que havia ajudado a um velhinho a atravessar a rua. Uma outra relatou que, quando o irmãozinho feriu-se, ela lhe fez um curativo e outra disse ter dado uma esmola a um pobrezinho. O júri achou que todas foram carinhosas, mas a criança premiada foi um menino de quatro anos, cujo vizinho era idoso e que, recentemente, havia perdido a esposa. A criança, ao ver o homem a chorar, entrou no quintal dele, subiu-lhe ao colo e ficou ali sentada. Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, o menino respondeu: - Nada, só o ajudei a chorar! Creio que seja isto que estamos vivendo nestes dias pela França e pelo mundo. Estamos sentados junto a eles, os ajudando a chorar.

É comovente pensar em crianças pequenas já tendo que compreender as tragédias da vida, acontecendo por intransigência à diferença. Esta e outras tantas crianças de quatro anos, que já estão vivendo o temor implantado pelos terroristas, vão, com certeza, ser fortalecidas por suas famílias, no sentido de não abrir mão de sua liberdade de pensamento, de fé, de ação. Ao pai da criança, só temos a dizer que nós também acreditamos em flores, gentileza e coragem como armas para se vencer batalhas. Não se deixar sucumbir é a estratégia que desarma o inimigo.

Os ataques à França são ataques aos seus valores. Não só aos seus, mas aos de todos os países que compartilham a fé na democracia, na tolerância e no valor do ser humano. O apego dos franceses aos valores republicanos, especialmente o laicismo contraria o islã radical. Franceses, nós, em silêncio, os estamos ajudando a chorar.

Matérias Relacionadas