Em sessão da Câmara, político do PSL chama deputadas de 'deputéricas'
Uma representação contra Bibo Nunes foi encaminhada ao Conselho de Ética da Câmara

Em sessão da Câmara desta quinta-feira (03), o deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS), da base do governo de Jair Bolsonaro, classificou as parlamentares Érika Kokay (PT-DF), Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) de histéricas e as chamou de "deputéricas".
"Deputadas histéricas, vou criar um neologismo: 'Deputérica'. Quando eu falar "Deputérica", estarei me dirigindo a uma deputada histérica, que não tem posicionamento, que não tem bom senso e que não se enquadra dentro do decoro parlamentar", disse o parlamentar do PSL, durante a votação sobre a medida provisória da Casa Verde e Amarela.
Em resposta a fala, críticas vieram a partir da bancada feminina da Casa, e uma representação contra Bibo Nunes foi encaminhada ao Conselho de Ética da Câmara.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que pessoas histéricas têm perturbações emocionais ou psíquicas. "Parece-me que é o deputado quem precisa de tratamento, porque isso se chama misoginia, aversão às mulheres. Isso é uma forma de agressão, de falta de decoro. Isso merece, de fato, uma análise do Conselho de Ética.", declarou.
A líder do PSOL, Sâmia Bomfim (SP), contestou a declaração do parlamentar do PSL. "Um deputado da base do governo foi à tribuna para chamar as mulheres deputadas de histéricas e as ofendeu, nos ofendeu, desqualificou completamente o nosso papel no debate político, na intervenção parlamentar e ainda criou um apelido ridículo, indecoroso, machista e inadmissível", disse.
Além disso, a situação repercutiu nas redes sociais. Em sua conta no Twitter, a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) publicou críticas a Bibo Nunes. "É inadmissível que um parlamentar, em plena sessão, chame deputadas da oposição de "histéricas" e "deputéricas". A discordância e o debate são da democracia. Via Secretaria da Mulher, denunciaremos a fala e postura machista de @bibonunes1 à Corregedoria e Comissão de Ética", escreveu.