Conheça Benny Briolly, a primeira vereadora transexual eleita em Niterói

"Vou representar a diversidade da cidade na Câmara e dar voz às minorias"

Enviado Direto da Redação
OSG entrevistou a quinta vereadora mais votada da cidade

OSG entrevistou a quinta vereadora mais votada da cidade

Foto: Divulgação

Por Claudionei Abreu*


Benny Briolly, de 29 anos, é a primeira vereadora transexual de Niterói. Eleita pelo PSOL com 4.458 votos, foi a quinta mais votada da cidade. Antes de ser eleita, Benny era assessora parlamentar da ex-vereadora e atual deputada federal Talíria Petrone. Também foi a primeira assessora parlamentar transexual da Câmara de Niterói. Nascida e criada na cidade, Benny morou no bairro do Fonseca até 20 anos. Filiada ao PSOL desde 2013, atualmente é estudante de Jornalismo e vive no Morro da Penha, no bairro de Ponta d'Areia. 


Benny afirma que a principal motivação para se candidatar foi o desejo de dar voz às minorias da cidade.


“É fundamental que a casa legislativa de qualquer cidade possa representar de fato a diversidade que encontramos na sociedade. Infelizmente, até hoje esses espaços são predominantemente compostos por homens brancos.  As mulheres, a população negra e periférica, e a população LGBT ainda não fazem parte desses lugares. Nossas lutas ao longo dos anos foram ganhando cada vez mais visibilidade, com debates mais amplos, para mais parcelas da sociedade. E com o tempo seria um caminho a disputa das casas legislativas para que pudéssemos levar nossas pautas e reivindicações", afirmou.


Segundo Benny, sua vitória representa uma resposta a um modelo de sociedade racista, transfóbica e machista.

“A nossa vitória representa uma resposta a esse modelo de sociedade que infelizmente é racista, transfóbica e machista. Niterói é uma cidade muito rica, porém desigual. É o município mais segregado racialmente da América. E nosso projeto representa essa luta por um outro projeto de cidade na casa legislativa. Queremos uma Câmara de Vereadores de Niterói que seja um canal para o povo dentro do parlamento. Que tenha a cara, a linguagem e a política cotidiana que é feita pelo povo negro, LGBTIA+, pelas mulheres e os trabalhadores que constroem efetivamente essa cidade.  Nossa trajetória começa desse sonho coletivo de transformar radicalmente a política!”, explica.


A vereadora disse que quer criar um conselho político para o seu mandato para ouvir as demandas da população.


“Nossos projetos irão buscar diminuir exatamente esse abismo social na cidade de Niterói. Iremos apresentar projetos na área da saúde da população negra e LGBT, inclusão digital da população periférica, inclusão de fato no currículo escolar da cultura afro, com base na Lei 10.639. Além disso, iremos propor melhorias na malha de ônibus que hoje ainda deixa as regiões não centrais de Niterói sem uma cobertura efetiva. Mas, isso não será realizado sem um amplo debate com os setores da sociedade. E por esse motivo vamos criar um Conselho Político para que as demandas orgânicas das pessoas possam ser a base de nosso trabalho legislativo”, destaca.


Ele diz ter consciência dos desafios que terá pela frente. "Além da representatividade de nossa pautas, Niterói se torna a primeira cidade do Estado do Rio a eleger uma mulher trans preta. E isso é muito significativo no enfrentamento dessa realidade desigual. Iremos disputar pautas que ainda não eram levadas para esta Casa e isso coloca Niterói na rota de se tornar uma cidade mais inclusiva às parcelas da sociedade que não se vêem representadas nesses espaços", declara.



*Estagiário sob supervisão de Ari Lopes 

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