Mulheres lançam movimento para garantir representatividade feminina na Câmara de Vereadores de São Gonçalo
Campanha “Cidade no Feminino” será lançada neste sábado (31)
Visando lutar pela visibilidade das candidaturas femininas e assim tentar garantir a eleição de mulheres para a Câmara de Vereadores de São Gonçalo, um grupo de mulheres liderada pela pedagoga e gestora de projetos no Programa em Gênero, Sexualidade e Saúde de Medicina Social do Instituto da Uerj, Leila Araújo, lança no próximo sábado (31) a campanha “Cidade no Feminino”. O movimento suprapartidário vai receber candidatas a vereadora de vários partidos para que elas assinem a Carta das Mulheres Gonçalenses se comprometendo, se eleitas, a lutarem para efetivar as reivindicações contidas no documento.
Os candidatos a prefeito também serão convidados a falar sobre o que pensam a respeito das mulheres nos espaços de poder e o que pretendem fazer para mudar a realidade de ter mais representatividade feminina no Executivo Municipal, caso eleitos. Eles serão convidados a assinar a Carta Compromisso com as Mulheres. O evento será realizado, em um café colaborativo, no Sítio Estrela da Manhã, em Monjolos, São Gonçalo, em espaço ao ar livre, com distanciamento social e outras regras sanitárias em tempos de pandemia.
Além do encontro, também serão produzidos 15 programas em vídeo sobre o conceito “Cidade no Feminino”, com entrevistas das candidatas e participação de especialistas nas questões de gênero. Os programas serão veiculados nas plataformas digitais do Canal Q. Cria, Agência Papa Goiaba, entre outros, ainda em negociação. Nos últimos dias da campanha eleitoral, as candidatas se reunirão em um abraço simbólico à Câmara de Vereadores e na Praça Luiz Palmier (Praça da Marisa), onde chamarão a atenção da população para a importância do voto nas mulheres.
“Cidade no Feminino é um
conceito criado pelo sociólogo espanhol Imanol Rubero, à época da campanha de
Manuela Carmena, eleita em 2015, prefeita de Madri. Carmena considerava em sua
plataforma de governo, essencialmente, o ponto de vista das mulheres para
construir uma cidade mais humana, mais acolhedora e mais sustentável. Este
conceito já foi trabalhado no município de Duque de Caxias, em 2015, quando da
elaboração do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres, do qual fiz parte
da equipe junto com as professoras Luciene Medeiros, Maria Luiza Heilborn e
Solange Dacach. É urgente que São Gonçalo embarque nesta perspectiva. A
população gonçalense, principalmente as mulheres, precisa entender a
necessidade de termos representantes
femininas em todos os espaços de poder, na cidade. Os partidos
políticos, os homens dos partidos políticos também precisam entender isto.
Temos lei que garante a cota de 30% de mulheres no pleito eleitoral. Temos uma
decisão do STF de que os partidos são obrigados a investir 30% dos recursos nas
campanhas femininas. Queremos 30% de mulheres na Câmara de Vereadores. Queremos
também 30% de vagas do primeiro escalão do Poder Executivo. A campanha ‘Cidade no Feminino’ é um grito
para que nosso direito ao espaço de poder seja respeitado na elaboração de
políticas públicas. É um alerta de que a nossa participação nas decisões pode
transformar esta cidade. Durante 16
dias, vamos gritar por mais mulheres no poder”, explica a idealizadora da
campanha, Leila Araújo.
Ainda de acordo com as
integrantes da campanha “Cidade no Feminino”, não basta ser mulher. É preciso que as candidatas à vereança
estejam comprometidas com a agenda das mulheres, uma vez que o município
apresenta os piores índices no nível estadual e nacional de violência
doméstica, mortalidade materna, desemprego, trabalho informal, falta de
saneamento básico e violência urbana que afeta diretamente os jovens filhos,
netos e maridos das mulheres gonçalenses.
Histórico – Nos
últimos 60 anos, São Gonçalo teve apenas cinco vereadoras. A primeira foi Aída
Faria, na década de 60 e somente 30 anos depois foram eleitas as outras quatro:
Solange Costa, Aparecida Panisset (que também foi prefeita por dois mandatos –
2005 a 2008 e 2009 a 2012), Beatriz Santos e Iza Deolinda. Atualmente, nenhuma mulher ocupa uma das 27
cadeiras do Legislativo Municipal.