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Crivella fala sobre operação policial feita contra ele: "ação injustificada"

Investigação aponta irregularidades em contratos da Prefeitura do Rio

relogio min de leitura | Redação 11 de setembro de 2020 - 11:30
Um dos celulares e um pen drive de Crivella foram apreendidos na ação policial
Um dos celulares e um pen drive de Crivella foram apreendidos na ação policial -

Marcello Crivella afirmou que o desdobramento da Operação Hades, que ocorreu na última quinta-feira (10) e teve o objetivo de combater supostas irregularidades em contratos firmados no município do Rio, foi "injustificada". Foram cumpridos, ao todo, 22 mandados de busca e apreensão contra servidores públicos, administrados do município, empresários e outras pessoas ligadas à Crivella. A operação foi feita pela Polícia Civil e pelo Ministério Público estadual (MPRJ).

A operação também apreendeu um dos celulares e o pen drive de Crivella. Em um vídeo postado nas redes sociais, Crivella falou sobre o ocorrido. 

“Semana passada, o meu advogado, o Dr. Alberto Sampaio, esteve com o sub-procurador do Ministério Público Estadual, o Dr. Ricardo Martins, colocando à disposição os meus sigilos bancário, telefônico e fiscal por conta de denúncias publicadas na imprensa. Portanto, foi estranha a operação realizada hoje na minha casa, considerando ainda que estamos em período eleitoral. No entanto, quero registrar que vi respeito e integridade no procurador, no delegado e no oficial de justiça", disse ele. 

Em 10 de março deste ano, foi cumprida a Operação Hades, que investiga uma possível organização criminosa que existe dentro da Prefeitura do Rio. Esta organização é acusada de corrupção dentro do órgão público. Na época, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão na Riotur, na Cidade da Música, na Barra; Jacarepaguá;Copacabana; e em Angra dos Reis, na Região da Costa Verde. A operação da última quinta-feira (10) seguiu apenas como um desdobramento deste caso. Crivella chegou a dizer que nada foi encontrado durante a ação dos agentes da polícia. 

"A ação durou cerca de uma hora e nada foi encontrado. Considero essa ação injustificada, já que sequer existe denúncia formal e eu não sou réu nesta ou em qualquer outra ação", disse ele. 

Na nota, Crivella também disse que a ação foi motivada por uma matéria da Globo e disse que o veículo de imprensa é contra o governo. 

"A investigação, que ainda nem se transformou em ação, se motiva em uma matéria do jornal O Globo, inimigo jurado do nosso governo, que alega existir na Prefeitura uma central de propinas, e a prova que apresenta é o pagamento devido pela administração anterior a uma empresa chamada Locanty. Vocês podem conferir no site de transparência da Prefeitura que nunca durante o meu governo foi feito qualquer pagamento a essa empresa. Lamento também que a Rede Globo de Televisão tenha chegado na minha casa antes dos oficiais. Como ela sabia se havia sigilo? Um mandado de busca e apreensão precisa vir acompanhado da motivação e os oficiais encarregados não apresentaram", disse o prefeito do Rio.

A investigação, que deu origem à Operação Hades, teve início após a delação premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso na Operação Câmbio Desligo, que ocorreu em maio de 2018 e investigava desdobramentos da Lava Jato. Ele chegou a denunciar que o operador do esquema de corrupção da Prefeitura era Rafael Alves. 

Segundo Mizrahy, que usava a expressão QG da Propina para se referir ao esquema das fraudes, as empresas entregavam cheques a Rafael para trabalharem com a Prefeitura do Rio e Rafael, por sua vez, repassava esses contratos com irregularidades para a Prefeitura. Já as empresas que possuíam dívidas com o órgão público tinham o pagamento de suas dívidas mediados por Rafael.

Crivella, ao final do vídeo, usou outros argumentos para falar do caso. "Portanto, quero dizer que, apesar disso, do fundo do meu coração, confesso que prefiro o Ministério Público voluntarioso, mesmo com alguns excessos, do que aquele omisso, que permitiu ocorrer no Rio de Janeiro, em gestões passadas, o maior volume de corrupção já visto no mundo, que tantos prejuízos trouxeram e ainda trazem ao nosso povo. Uma conta amarga que tivemos que pagar de obras olímpicas superfaturadas. Vamos em frente e que Deus nos abençoe", concluiu o prefeito do Rio.

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