Witzel recorre ao STF pedindo cassação da decisão que define seu afastamento
Tempo do afastamento é de 'pelo menos seis meses'

A defesa do agora afastado governador Wilson Witzel (PSC) entrou com um pedido de liminar no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta segunda-feira (31) para cassar a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que o afastou do governo do Rio. O pedido foi feito três dias depois da Operação Tris in Idem, que tirou Witzel do cargo por pelo menos seis meses, e foi distribuído ao presidente da Supremo, ministro Dias Toffoli.
A defesa contesta a decisão monocrática tomada pelo ministro Benedito Gonçalves, do STJ, que definiu o afastamento do cargo por pelo menos seis meses "para fazer cessar as supostas atividades de corrupção e lavagem de dinheiro", denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF).
Wilson Witzel foi afastado depois de investigações do MPF apontar seu envolvimento em desvios de recursos públicos. Além do afastamento do governador, Benedito determinou a prisão de 17 pessoas e o cumprimento de 82 mandados de busca e apreensão sobre o caso.
Segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), Witzem montou uma organização criminosa dentro do governo do estado assim que assumiu o cargo em janeiro de 2019. O governador recebia propinas supostamente lavadas pelo escritório de advocacia de sua esposa, Helena Witzel, para beneficiar organizações sociais em contratações do estado.
A quadrilha, segundo a denúncia, era dividida em três grupos, que disputavam o poder com desvio de recursos dos cofres públicos. O esquema era liderado por empresários, que lotearam secretarias importantes, como a de Saúde, para criar esquemas em benefício de suas próprias empresas.
O ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, o presidente nacional do PSC, o Pastor Everaldo, e o empresário Mário Peixoto faziam parte da organização criminosa. Lucas e Everaldo foram presos na última sexta-feira. Peixoto foi preso em maio, na Operação Favorito.
Além do afastamento, Witzel precisa se defender do impeachment que corre contra ele na Alerj e deve ser votado nas próximas duas semanas. O processo estava paralisado por liminar do ministro Dias Toffoli, mas o ministro Alexandre de Moraes autorizou a retomada.
Também foi formado um colegiado especial para analisar as suspeitas de desvios na Saúde durante a pandemia. A comissão, presidida pela deputada e pré-candidata à prefeitura Martha Rocha (PDT), também encaminhará documentos que devem embasar o impeachment de Witzel.