Secretário do Paraná recusa pedido de Bolsonaro para ser ministro da Educação
A indicação de Renato Feder foi criticada por aliados do presidente

O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, recusou o convite para ser ministro da Educação. O convite feito a Feder pelo presidente Jair Bolsonaro acabou causando ataques contra o secretário, já que aliados políticos do Bolsonaro não concordaram com a indicação. O ministério da Educação está sem um titular desde o último dia 18, quando Abraham Weintraub foi pressionado a se retirar, após ter dito que prenderia os "vagabundos" do Superior Tribunal Federal.
Feder foi convidado para o cargo pelo presidente na última quarta-feira (01). "Agradeço ao presidente Jair Bolsonaro, por quem tenho grande apreço, mas declino do convite recebido. Sigo com o projeto no Paraná, desejo sorte ao presidente e uma boa gestão no Ministério da Educação", disse Feder em suas redes sociais ao recusar o convite.
Renato Feder é o segundo a deixar o mandato mesmo sem ter sido oficialmente anunciado e sem ter se tornado ministro efetivamente. Ele mal recebeu críticas e foi alvo de ataques nas redes sociais de bolsonaristas, porque, em 2007, escreveu um livro defendendo o fim do Ministério da Educação (MEC) e a privatização da rede de ensino no Brasil.
No entanto, ele se defendeu e afirmou que era novo quando escreveu o livro. "Escrevi um livro quando tinha 26 anos de idade. Hoje, mais maduro e experiente, mudei de opinião sobre as ideias contidas nele", disse para o jornal 'Estadão'.
Feder também disse que gostaria de ser analisado pelos índices atuais de Educação no Paraná, local onde atua, e não pelo que ele disse ou fez no passado. Ele, por exemplo, comemorou a transferência de alunos de 10 mil famílias das escolas particulares para o ensino público do Paraná. A mudança ocorreu por causa da pandemia, mas, segundo ele, mostra que o Estado está em um bom caminho para a Educação.
O secretário também se defendeu das acusações de pessoas ligadas ao escritor Olavo de Carvalho e dos militares no governo federal que o acusaram de uma divulgação de livros de "ideologia de gênero", que é um tema que Bolsonaro é contra. "Não existe nenhum material com esse conteúdo aprovado ou distribuído pela Secretaria", afirmou.