Ônibus de São Gonçalo Niterói e Maricá operam com apenas 10% da frota

Sindicato tenta evitar demissões em massa no setor

Enviado Direto da Redação

Foto: Divulgação

Pelo menos 201 linhas de ônibus municipais e intermunicipais, de 19 empresas, que circulam a partir de Niterói, São Gonçalo e Maricá, estão operando com 10% a 15% de suas frotas. As 69 linhas, de 12 dessas companhias, que transportam passageiros para o Rio de Janeiro, estão com suas atividades totalmente suspensas. Essa constatação é do Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) que, nesta segunda-feira (23), realizou assembleias ao longo do dia em companhias de Niterói e Maricá para tentar impedir demissões em massa no setor.


“A situação pode ser ainda mais grave, pois existem outras empresas, com circulação menor de linhas, que também estão passando por problemas sérios. Até agora nenhum governo atentou para a questão dos rodoviários, que integram um serviço essencial para a sociedade e estão entregues à própria sorte”, afirma o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira.


Nas assembleias desta segunda-feira, o sindicato confirmou que quatro empresas de ônibus de Niterói e uma de Maricá, que atuam em 79 linhas municipais e intermunicipais, estão operando com apenas 10% de suas frotas e suas viagens para a capital foram paralisadas. Para impedir demissões, os rodoviários da empresa Garcia firmaram acordo para receber o pagamento integral de março e a empresa estuda fornecer duas cestas básicas; os da Pendotiba e da Nossa Senhora do Amparo (Maricá) farão escala, com dez dias de trabalho, e as companhias também estudam o fornecimento de duas cestas básicas; os da Santo Antônio e da Fortaleza adotarão escala de dez dias; e não houve assembleia na viação Miramar por falta de quórum, uma vez que a empresa está com suas operações praticamente paralisadas.


Na sexta-feira (20/3), os trabalhadores das seguintes companhias de São Gonçalo decidiram adotar o revezamento de dez dias: Viação Mauá, Icaraí, ABC, Alcântara, Rio Ita, Coesa e Fagundes. Na Brasília, os rodoviários acataram receber uma diária de R$ 70,00 por causa da grave crise financeira, que a empresa atravessa. O revezamento por escala garante o pagamento dos dias trabalhados para os profissionais.


Nesta terça-feira (24/3), será a vez das assembleias dos rodoviários das empresas: Ingá, Araçatuba, Rio Ouro, 1001, Galo Branco e Estrela.


A redução das operações nas frotas e o programa de escala entre rodoviários foram adotados a partir de brutal queda na arrecadação das empresas, diante das medidas de isolamento determinadas pelas autoridades públicas para o controle da disseminação do coronavírus (Covid-19).


 “Está na hora dos governos pensarem em uma compensação financeira para os trabalhadores, aos moldes do que os Estados Unidos e alguns países europeus estão adotando ou em vias de adotar. Uma complementação salarial já ajudaria para evitarmos uma grave crise social, que está batendo na nossa porta. Não adianta apenas socorrer bancos, o dinheiro precisa circular, o poder de compra precisa ser mantido para a economia não entrar em colapso”, afirma Rubens dos Santos Oliveira, presidente do Sintronac.

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