Pedido de Impeachment de Jair Bolsonaro é protocolado na Câmara dos Deputados
Pedido foi feito pelo deputado Leandro Grass (Rede-DF)

O deputado distrital Leandro Grass (Rede-DF) protocolou, nesta segunda-feira (17), o pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Os motivos para o impedimento seriam os ataques contra a imprensa e contra os poderes Legislativo e Judiciário (com o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal), além do recente endosso do presidente Jair Bolsonaro para que manifestações contra as instituições democráticas da República acontecessem no último domingo, mesmo diante de uma pandemia de coronavírus.
Contrariando as determinações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS), o presidente, que estava com suspeita de coronavírus, deixou o isolamento, apareceu em uma manifestação e, ao lado de cartazes contra o Legislativo e o Judiciário, tirou fotos com os manifestantes e pegou nas mãos e celulares deles, o que vai contra todas as recomendações de higiene para conter a propagação do coronavírus no país.
O autor do pedido de impeachment relembra que o presidente esteve em contato pessoas que testaram positivo para o vírus e, mesmo assim, apareceu na manifestação "convocada para achacar os Poderes Constituídos, sendo um potencial vetor de transmissão da doença". O deputado afirma que esta postura é criminosa.
No pedido, o deputado também afirmou que, após a posse, Bolsonaro passou a cometer “atrocidades no maior cargo da República”, como os frequentes ataques à imprensa, também “o envolvimento da família do presidente com milícias do Estado do Rio de Janeiro, inclusive tendo exaltado policiais que hoje são condenados pela Justiça" e também a falta de explicações sobre os empréstimos de Fabrício Queiroz à sua esposa Michele. Outro motivo seria o fato do presidente não explicar as denúncias de servidores fantasmas, enquanto era deputado federal.
Os crimes de responsabilidade citados pelo deputado Leandro Grass são: Apoio e convocação às manifestações do dia 15 de março de 2020, por meio da divulgação de vídeos em redes; a declaração, no último dia 9, de que as eleições de 2018 foram fraudadas e que teria provas disso, embora até hoje não as tenha apresentado para imprensa ou no foro competente; as declarações feitas à jornalista Patrícia Campos Mello, no dia 19 de fevereiro; o episódio do “Golden Shower”, em 2019, onde o presidente postou um vídeo com conteúdo pornográfico em sua rede social; determinação expressa de comemoração do Golpe Militar de 1964, direcionada às Forças Armadas Brasileiras, em 25 de março de 2019.
“Desse conjunto de condutas revela-se extrema gravidade. Gravidade esta pelo reiterado desafio proposto pelo presidente aos demais poderes - Legislativo e Judiciário, pela convocação de manifestações contra tais poderes, bem como pelo descrédito das decisões judiciais em matéria eleitoral”, afirma o deputado.