Eleições Municipais de São Gonçalo 2020 | Entrevista com o pré-candidato Dimas Gadelha
Distribuição de renda e reformulação dos distritos: são alguns dos pontos no projeto de cidade do petista

Por Rennan Rebello
O médico Dimas Gadelha foi secretário Municipal de Saúde de São Gonçalo nas duas últimas administrações da cidade, com o prefeito Neilton Mulim e o atual, José Luiz Nanci. Neste último, deixou o posto em 2018 para tentar se eleger deputado federal pelo DEM, partido com ideologia de centro-direita. Mas numa virada surpreendente, hoje está filiado ao PT, que o escolheu para ser pré-candidato a prefeito nas próximas eleiçôes, com o aval do 'cacique' do partido no Estado do Rio, Washington Quaquá, ex-prefeito de Maricá e um dos vice-presidentes nacional da legenda.
Dimas recebeu a equipe de reportagem de O SÃO GONÇALO em sua residência, numa área limítrofe entre os bairros Centro e Estrela do Norte, e falou sobre sua trajetória na máquina pública que começou em idos dos anos 2000, na gestão de outro médico, Henry Charles (então no PMDB entre os anos 2001 e 2004).
"Em São Gonçalo fui coordenador do programa Agente Comunitário de Família (ACF) no governo Charles, também trabalhei na gestão da prefeita Aparecida Panisset (2005-2012, do PDT). Já com o prefeito Neilton Mulim, inicialmente não tive cargos, porque fiz parte de outra administração e comecei no Conselho de Saúde da cidade, onde me destaquei e com o tempo ganhei a confiança do prefeito. Acabei me tornando seu secretário de Saúde nos seus últimos dois anos de mandato (2015-2016), e depois presidente da Fundação de Saúde. Fui convidado a continuar com o prefeito (e também médico) José Luiz Nanci, porém, como não consegui fazer meu trabalho neste governo do qual me senti senti 'engessado', resolvi sair e me candidatei a deputado federal", disse.
Sobre sua 'guinada à esquerda' na política, Dimas justifica, garantindo que sempre foi progressista. "Quanto a minha ida ao PT, costumo responder às críticas, aplicando os conceitos na prática, e não somente na teoria escrevendo algum artigo. Eu trabalhei no SUS (Sistema Único de Saúde) que busca a equidade no atendimento clínico para todos. Embora tenha feito parte de gestões que não são de esquerda, todo meu trabalho foi pensado para a população. Por exemplo, como secretário (de Saúde) implantei os primeiros "Hospitais de Rua" (programa assistencial) do Estado, em Neves; e na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), em Nova Cidade, implementei um serviço de referência", se defende.
Sobre sua ida para o DEM, Dimas Gadelha explica: "Eu só me candidatei a deputado federal pelo DEM por convite de um colega de turma na Fiocruz, o Daniel Soranz, que foi secretário de Saúde do Eduardo Paes (ex-prefeito do Rio) e implementou o modelo de "Clínica da Família". Admiro o Paes como gestor e grande realizador, por isso aceitei o convite. Ressalto que nunca votei no Bolsonaro. Não votei no Fernando Haddad (PT) no primeiro turno porque segui a orientação partidária, mas no segundo turno votei. Estou muito feliz aonde estou e não pretendo sair jamais no PT e inclusive estou participando do processo de filiação de outras pessoas", disse Dimas.
O agora petista também dissertou sobre suas principais metas, caso seja eleito como chefe do Executivo gonçalense. "Um dos programas é o 'Meu Lixo, Minha Renda', onde vamos colocar vários pontos de coletas pela cidade que será gerida por uma empresa pública de recolhimento de lixo. A população vai pesar os resíduos descartados e ser remunerada por uma moeda social, será aceita apenas no município e administrada através de pontos no cartão. Isso vai aquecer a economia local, gerar renda e também ajudar na limpeza da cidade", explicou.
Dimas diz que pretende usar a criatividade para implantar programas sociais. "Penso num programa de governo de forma social, que conte com um voluntariado. Um exemplo seria o 'Passaporte Universitário', já adotado em Maricá. Mas no nosso caso funcionaria da seguinte forma: o voluntário trabalharia um dia em alguma área do serviço público e estudaria numa universidade privada de de São Gonçalo, ganhando a passagem para a faculdade. Seria uma forma do estudante retornar o investimento público em a sua bolsa, trabalhando como voluntário e ainda estaríamos movimentando a economia da cidade, com o aumento da receita das instituições particulares locais. Sempre vamos pensar em criar mecanismos para gerar renda dentro de São Gonçalo e prestigiar quem atua localmente", garantiu.
Além disso, o médico sanitarista quer refazer o mapeamento dos atuais cinco distritos da cidade (atualmente são cinco e o pré-candidato pretende ampliar para 10). Segundo ele, será mais fácil para redistribuir serviços básicos e ter controle por meio de sub-prefeituras; e também inserir ônibus gratuitos como os 'Vermelinhos de Maricá', com rotas e tarifas justas, a fim de estimular o fluxo dentro do território gonçalense.
"Nossa distribuição de distritos é muito antiga e precisa ser reorganizada pois precisamos atender melhor a demanda da população, já que um distrito é diferente do outro, inclusive no tamanho de sua população. Com 10 distritos elaborados para priorizar características próprias juntamente com as sub-prefeituras trabalhando nestes locais poderemos trabalhar melhor as demandas desde da Saúde, Educação e até à Segurança Pública. Vamos criar duas rotas públicas: a 'Rota Vermelha', com, inicialmente três trajetos na cidade. Como não temos, ainda, condições de ter uma empresa pública de ônibus, iríamos comprar uma 'briga', mas exigiria das empresas de ônibus a cobrança, do que chamo no projeto, de 'Tarifa Justa', ou seja, o usuário vai entrar no ônibus e pagar o valor proporcional de seu deslocamento de um ponto a outro, e não o valor integral já tabelado", finalizou Dimas.