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Comandante quer trabalhar com ajuda dos moradores

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 02 de agosto de 2015 - 15:23
Foto: Sandro Nascimento

Com 27 anos dedicados à Polícia Militar, o tenente-coronel Almyr Cabral Mendonça, de 48 anos, encara o seu mais novo desafio na carreira: comandar o 7º BPM (São Gonçalo). Ele já esteve a frente dos batalhões de Angra dos Reis, Jacarepaguá, Praça Tiradentes, Mesquita e Queimados. Desde o dia 16 de julho na unidade gonçalense, o comandante contou a O SÃO GONÇALO os seus projetos para a cidade. E, para facilitar a comunicação com a população, ele já disponibilizou um whatsApp do 7º BPM para que o público possa fazer diretamente suas denúncias aos policiais, através do número (21) 99041-7198.

Sany Medeiros

Thuany Dossares


OSG: Você está assumindo o 7º BPM substituindo um comandante que conquistou não só a tropa, mas que ganhou também o carinho da população. Inclusive nas redes sociais, os gonçalenses fizeram campanhas pedindo a permanência do coronel Fernando Salema. Como você encara isso?

Almyr Cabral Mendonça: Substituir o Salema são dois desafios. O primeiro é em relação ao carisma dele. Mas quem sou eu para substituir ele em relação a isso? Na questão do trabalho, quero dar continuidade no que já estava sendo desenvolvido. Ele bateu as metas impostas pela Secretaria de Segurança, reduziu os índices de criminalidade. Cheguei aqui com o batalhão sendo premiado em primeiro lugar no estado. Então, eu não tenho que mexer no que está dando certo.

OSG: Parte do carinho que o Salema conquistou da população foi devido aos trabalhos sociais que integravam a polícia e a sociedade. Você irá continuar com esses projetos?

Almyr: Todos os eventos que foram promovidos no comando anterior, eu irei refazê-los. Farei a segunda edição de tudo: da caminhada, pedalada, culto, encontro de veículos... Também manterei as doações para instituições carentes.

OSG: O 7º BPM tem um diferencial em relação aos outros batalhões. Grande parte dos policiais é morador de São Gonçalo. Isso influencia mo trabalho?

Almyr: Isso não é comum em outras unidades. Mas é muito bom porque os policiais trabalham com mais motivação, já que são clientes do próprio serviço. Trabalham pensando no bem estar dos familiares.

Almyr: Mesmo com a motivação de trabalhar para melhorar a segurança de onde mora, você acha que o número de policiais é suficiente para a quantidade de habitantes?

Almyr: Hoje, o meu efetivo não é tão pequeno, já que conto com pouco mais de 900 policiais. Não vou dizer que é o suficiente. Se eu pudesse ter mais, teria. Mas prefiro trabalhar qualidade e não quantidade. E eu tenho policiais qualificados para desenvolver o melhor trabalho porque são moradores daqui. Isso supera a quantidade.

OSG: Você já conhecia São Gonçalo?

Almyr: Só o Centro. Agora que vou conhecer melhor os bairros. E, para isso, peço a colaboração dos moradores no nosso planejamento. Preciso que os líderes comunitários, os presidentes de associações de moradores estejam sempre em contato para eu poder intensificar o policiamento e poder dar uma sensação de segurança para todos.

OSG: Você já conseguiu perceber alguma área mais crítica na cidade?

Almyr: Eu ainda estou mapeando, mas o que mais me preocupa é o Salgueiro, pela ação do tráfico. Porém, não gostaria de elencar a região que me preocupa mais. O que mais me preocupa é trazer a tranquilidade para os moradores de São Gonçalo como um todo. Então, não vou privilegiar policiamento em bairro nenhum, vou tratar todos da mesma forma.

OSG: E sobre os roubos de rua, que são os crimes que mais afetam a população de maneira direta?

Almyr: Não vou me dedicar ao roubo de rua ou ao tráfico. Não vou focar em um crime específico. Vou me dedicar às ações policiais como um todo. Não vou dar preferência só ao policiamento nas comunidades, mas às pessoas que se deslocam nos carros, nos ônibus. Vou atuar em todas as áreas a partir da mancha criminal.

OSG: Uma operação que deu muito certo foi “Bom Dia, São Gonçalo”, que ajudou a coibir a ação de assaltantes. Essa ação permanece?

Almyr: A operação continua entre 4h e 8h. Esse horário, as pessoas estão saindo para trabalhar e os criminosos se aproveitam para cometer assaltos. Então, intensificamos o policiamento. Também criei a operação “Boa Noite, São Gonçalo”, que tem o mesmo objetivo, mas com atuação no horário em que as pessoas estão retornando do trabalho, entre 18h e 20h30.

OSG: Qual a importância da retirada de barricadas das comunidades?

Almyr: Constatei quando cheguei que algumas vias estavam obstruídas. Então, por mais que eu quisesse intensificar o patrulhamento, eu não conseguiria. Outro ponto que me chamou atenção é a questão de apologia ao crime pichada nas paredes e nos muros. Para isso, montei a “Operação Choque de Ordem”. Primeiro, o efetivo entra para tomar a comunidade e garantir a segurança de quem vai retirar as obstruções e pintar os muros. Também temos que garantir o direito de ir e vir do cidadão de bem e do morador. Não vai existir área que o batalhão não possa entrar, lhe garanto isso.

OSG: E em relação aos bailes funk promovidos pelo tráfico de drogas?

Almyr: Algumas comunidades soltaram fogos com a saída do coronel Salema, mas não têm motivos nenhum para fazerem isso porque os bailes continuam proibidos. Não tenho nada contra o funk, nada contra o pagode ou qualquer outra expressão cultural, desde que as pessoas não utilizem esses eventos para a venda e o consumo de drogas. Isso nós não iremos permitir.

OSG: O que ajudou a cidade a bater as metas impostas pela Secretaria de Segurança foi a integração entre as polícias. Isso será mantido?

Almyr: Bater as metas só é possível quando há integração. E eu quero continuar batendo as metas, também nesse segundo semestre.

OSG: Como você espera conquistar essa meta e aproximar a população?

Almyr: Estou criando um whatsApp do batalhão para que a população se sinta à vontade para fazer as denúncias de uma forma mais direta e informal. Vou ganhando a confiança da população e a credibilidade com o passar do tempo que eu vou demonstrando o meu trabalho. Garanto que toda denúncia será checada.

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